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Uma das fotos mais antigas de Lavras, que mostra a esquerda o casarão que mais tarde se sediou a Prefeitura de Lavras. Na época, a rua Sant'Anna se chamava XV de Novembro
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[História de Lavras - do arquivo de Efemérides de Eduardo Cicarelli] O Chefe do Cartório da 160ª Zona Eleitoral, o analista judiciário Rafael Romão Campara, informou, a pedido do Jornal de Lavras, que 75.844 eleitores lavrenses estão aptos a votar no dia 4 de outubro deste ano de 2026.
Os eleitores lavrenses terão 213 urnas eletrônicas que atenderão exatamente às 213 seções eleitorais ativas do município. São 23 locais de votação, são pontos estratégicos preparados para receber os 75.844 eleitores aptos a voltar em Lavras.
Mas como era o eleitorado de Lavras no final do século XIX? A reportagem foi buscar a resposta nos registros históricos.
Há mais de um século, a organização política e o perfil do eleitorado no Sul de Minas Gerais respondiam a dinâmicas muito diferentes das atuais. Um resgate histórico fundamentado no boletim eleitoral de 25 de agosto de 1892 - documento que integra a "Lista Geral do Alistamento Eleitoral de Lavras" - revela dados valiosos sobre a participação política na região no início da República Velha.
Naquele período, o município de Lavras registrava apenas 728 eleitores, distribuídos em 17 seções eleitorais, que eram denominadas na época como "Quarteirões Eleitorais".
Para compreender a dimensão desses números, é preciso considerar dois fatores históricos fundamentais, a geografia e territorialidade. No final do século XIX, o território administrativo de Lavras era significativamente maior do que o atual. O município englobava diversas localidades e distritos que posteriormente se emanciparam, como os atuais municípios de Ijaci, Luminárias, Nepomuceno, Perdões, Ribeirão Vermelho, Itumirim e outros. Dessa forma, o contingente de 728 eleitores atendia não apenas à sede, mas a toda a extensão dessa hoje microrregião.
É importante lembrar também que a legislação eleitoral da época impunha fortes restrições à participação popular. Sob a Constituição de 1891, o voto no Brasil era exclusivo para homens alfabetizados e maiores de 21 anos. As mulheres não tinham o direito de votar nem de serem votadas - conquista que só se consolidaria nacionalmente quatro décadas mais tarde, com o Código Eleitoral de 1932.
O levantamento documental permite observar as transformações sociais, territoriais e legislativas que moldaram a cidadania e o acesso às urnas ao longo da história da região.
No ano de 1892, o Brasil atravessava o conturbado período da República da Espada sob o governo do marechal Floriano Peixoto, que esteve à frente da presidência entre 1891 e 1894. Floriano assumiu o poder após a renúncia do marechal Deodoro da Fonseca, em meio a um contexto marcado por graves tensões políticas, acusações de ilegalidade e a eclosão de revoltas militares.
Em âmbito estadual, Minas Gerais era governada pelo presidente de estado Affonso Augusto Moreira Penna (que mais tarde viria a ser presidente da República). No plano local, a administração do município de Lavras estava sob a responsabilidade do Agente Executivo Augusto Salles, cargo equivalente ao de prefeito na época.