
Um símbolo da gastronomia mineira, o pão de queijo ganhou até um dia para celebrar
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Poucos aromas têm o poder imediato de evocar a sensação de lar quanto o cheiro de pão de queijo assando no forno. No dia 17 de agosto, o Brasil celebra oficialmente o Dia do Pão de Queijo, uma data dedicada ao maior embaixador da gastronomia de Minas Gerais. Mais do que uma simples receita, a iguaria tornou-se um verdadeiro patrimônio afetivo, símbolo de hospitalidade e um produto que levou o nome do estado para além das fronteiras nacionais, conquistando paladares em diversos países.
Apesar de a receita carregar séculos de tradição, a criação de uma data específica para homenageá-la é relativamente recente. A celebração do dia 17 de agosto teve início em 2007, fruto de um concurso promovido pela TV Globo Minas para eleger a melhor receita de pão de queijo do estado.
O sucesso da iniciativa e a mobilização dos mineiros ganharam tamanha repercussão que o dia da final da disputa passou a ser adotado no calendário cultural como o dia oficial do quitute. Desde então, a data é lembrada anualmente com eventos, festivais gastronômicos e, claro, fornadas fartas nas casas e padarias de todo o país.
A história que antecede o reconhecimento oficial, no entanto, remonta ao período colonial mineiro no século XVIII, em pleno ciclo do ouro. A receita nasceu da necessidade e da criatividade nas cozinhas das fazendas.
Como a farinha de trigo era um item importado de alto custo e difícil acesso no interior do país, as cozinheiras utilizavam a mandioca - ingrediente abundante e herdado da culinária indígena.
A partir do processamento da mandioca, obtinha-se o polvilho (doce ou azedo), utilizado como base para biscoitos e pães de forno.
Nas fazendas produtoras de leite, o excedente de queijo que sobrava e endurecia nas prateleiras passou a ser ralado e misturado à massa do polvilho, junto com ovos e leite, dando origem ao formato que conhecemos hoje.
Com a expansão das malhas viárias e o crescimento do turismo ao longo do século XX, o quitute ultrapassou os limites do estado. A consolidação de empresas produtoras e a tecnologia de congelamento permitiram que o pão de queijo saísse das cozinhas de fazenda para figurar no cardápio de redes de café globais, chegando a exportação e feiras internacionais.
Seja na versão clássica de casca crocante e miolo puxa-puxa, recheado com linguiça, doce de leite, goiabada, pernil ou requeijão, o pão de queijo preserva sua essência: um convite à pausa, à conversa sem pressa e ao abraço em forma de comida. Neste 17 de agosto, a celebração é, acima de tudo, um reconhecimento à história e ao orgulho da cultura mineira.
Em Lavras, indicar um único lugar para saborear um bom pão de queijo é uma tarefa difícil. De padarias e supermercados a lanchonetes e bares, cada estabelecimento guarda sua própria receita, seja pelo toque especial no preparo ou pela escolha de queijos selecionados. O fato é que o pão de queijo lavrense não deixa nada a desejar: cada fornada entrega um sabor único e especial.
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