
Adolf Hitler e Benito Mussolini, o eixo Berlim-Roma, a aliança da Alemanha nazista e da Itália fascista
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[História de Lavras - do acervo de Efemérides de Eduardo Cicarelli] Hoje, sexta-feira, dia 14 de agosto, completa-se 84 anos de um episódio marcante e emblemático da história de Lavras. Era o ano de 1942 e o mundo vivia o auge da Segunda Guerra Mundial (1939–1945) - um conflito global que contrapunha duas grandes alianças militares: os Aliados e o Eixo.
No Brasil, o governo de Getúlio Vargas sofria forte pressão interna e externa para posicionar o país no conflito. O estopim ocorreria poucos dias depois, em 22 de agosto de 1942, quando o Brasil declarou guerra à Alemanha nazista e à Itália fascista após o torpedeamento de navios mercantes brasileiros na nossa costa. A declaração foi uma resposta direta do presidente à comoção e pressão popular.
Mas, em Lavras, o engajamento da população começou uma semana antes da declaração oficial de guerra. No dia 14 de agosto de 1942, os estudantes da Escola Superior de Agricultura de Lavras (ESAL), liderados por seu Diretório Acadêmico, promoveram a "Campanha do Alumínio". Os moradores foram conclamados a doar panelas, bacias e utensílios para ajudar na aviação nacional. Além do alumínio (usado nas carenagens dos aviões), os estudantes pediam metais amarelos, como torneiras e registros, destinados às fábricas de munição.
A população lavrense abraçou a causa de imediato. No ponto de encontro das duas principais praças da cidade – Augusto Silva e hoje Leonardo Venerando – as doações começaram a se acumular, formando uma pilha de metal que ficou conhecida como a "Pirâmide Metálica". Dia após dia, a estrutura crescia e se tornava o grande símbolo do orgulho e do patriotismo local.
O clima de civismo, no entanto, tomou um rumo sombrio após uma provocação na calada da noite: alguém jogou um cachorro morto no topo da Pirâmide Metálica.
O ato foi visto como um grave desrespeito e uma afronta direta à soberania nacional. Indignada, a população rapidamente buscou culpados. Não demorou para que os olhares se voltassem contra a expressiva comunidade de imigrantes italianos que residia em Lavras. O boato correu rápido: "Foram os italianos 'Quinta Coluna'!"
À época, o termo "Quinta Coluna" era usado para acusar imigrantes e descendentes de italianos e alemães de serem espiões ou simpatizantes do fascismo e do nazismo. Sob o regime de exceção e a paranoia da guerra, a repressão se intensificou em todo o país - falar italiano ou alemão em público chegou a ser proibido.
Em Lavras, o episódio do cachorro morto desencadeou meses de perseguição, isolamento e insultos nas ruas: ninguém mais comprava produtos nas bancas de verduras mantidas por italianos, por exemplo. Até mesmo as crianças foram proibidas de brincar com os filhos dos imigrantes.
A história da Pirâmide Metálica de 1942 permanece como um retrato marcante da memória de Lavras: de um lado, a solidariedade e a mobilização cívica de sua comunidade; do outro, os perigos da histeria coletiva e do preconceito em tempos de crise global.
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