
"Perda incalculável para a 7ª Arte": João Batista Carvalho comenta a despedida de Luiz Carlos Barreto e João Signorelli
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A cultura brasileira perdeu, em dois dias consecutivos, duas importantes referências do audiovisual. Morreu nesta quarta-feira (22) o produtor Luiz Carlos Barreto, um dos principais nomes da história do cinema nacional. Um dia antes, faleceu o ator mineiro João Signorelli, reconhecido por atuações na televisão, no teatro e no cinema.
Barreto estava internado no Hospital Copa Star, no Rio de Janeiro, tratando uma infecção pulmonar decorrente de pneumonia. Aos 98 anos, deixa uma trajetória de mais de seis décadas no cinema brasileiro. Seu velório será realizado nesta quinta-feira (23), no Palácio da Cidade, em Botafogo.
Em Lavras, falar de cinema exige, inevitavelmente, citar João Batista Carvalho, o João da Praça" - tido como um dos maiores conhecedores da sétima arte em Minas Gerais. Cinéfilo desde a infância, João carrega em sua trajetória um feito memorável: quando o tradicional Cine Brasil enfrentou uma grave crise, foi chamado para assumir a direção da casa. Em pouco mais de dois meses, com um olhar apurado e a oferta de uma curadoria de filmes espetaculares, ele conseguiu reerguer o espaço e resgatar o hábito do público lavrense.
Com uma bagagem crítica e sensível reconhecida no meio cultural, João Batista já participou de diversos programas e registros históricos sobre o audiovisual - com destaque para o documentário A História do Cinema em Lavras, produzido pelo museólogo Ângelo Alberto de Moura Delphin em julho de 2024.
Em conversa exclusiva com a reportagem do Jornal de Lavras, João Batista Carvalho comentou sobre o peso dessas partidas para o patrimônio cultural do país e ressaltou a dimensão histórica das contribuições deixadas por Barreto e Signorelli para a arte brasileira.
Sobre Luiz Carlos Barreto, João destaca sua relevância histórica: "O cinema brasileiro amanheceu mais pobre. Barretão foi o maior produtor do nosso cinema. Sua carreira começou em 1961 com Assalto ao Trem Pagador, sucesso no Brasil e no exterior. Também produziu O Quatrilho, indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1995."
Ao comentar a morte de João Signorelli, natural de Cambuquira (MG), o crítico ressaltou a versatilidade do ator. "Sua carreira, com mais de 30 anos, reuniu teatro, televisão e cinema. Destacou-se pela interpretação de Mahatma Gandhi, personagem que viveu por mais de uma década, além de participações em novelas como América e Caminho das Índias e filmes como Carandiru e Boca de Ouro."
As duas perdas representam o encerramento de trajetórias marcantes que ajudaram a construir a história do audiovisual brasileiro.