
Getúlio Vargas com voluntários que lutaram na Revolução Constitucionalista de 1932. Foto: Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP)
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[História de Lavras e do Brasil - do acervo de Efemérides de Eduardo Cicarelli] A data desta quinta-feira, 9 de julho, carrega um duplo significado histórico. Em Lavras, celebra-se os 127 anos da consagração do templo da Igreja Presbiteriana, edificado em 1899 na atual praça Leonardo Venerando, sob a liderança do reverendo Samuel Rhea Gammon. Paralelamente, a data é feriado no estado de São Paulo, instituído em 1997, em memória ao início da Revolução Constitucionalista de 1932.
Há 94 anos, civis e militares paulistas se levantaram em um movimento armado contra o governo provisório de Getúlio Vargas, que comandava o país desde 1930 sem uma Constituição ou a convocação de eleições. Sob a liderança da Frente Única Paulista (FUP) - aliança entre o Partido Republicano Paulista (PRP) e o Partido Democrático (PD) -, a população exigia maior autonomia estadual e uma nova Assembleia Constituinte. O estopim para o conflito ocorreu em maio daquele ano, quando um confronto resultou na morte dos jovens Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo. O acrônimo de seus nomes, MMDC, tornou-se o símbolo da resistência e, desde 2011, os quatro estão inscritos no Livro dos Heróis da Pátria.
A revolta mobilizou a sociedade paulista por meio de intensa propaganda em rádios e cartazes. Cerca de 35 mil voluntários se alistaram e cidadãos doaram bens na "Campanha do Ouro para o Bem de São Paulo" para financiar o combate, enquanto indústrias locais foram adaptadas para fabricar armamentos.
Apesar de contar com cerca de 50 mil soldados liderados por Isidoro Dias Lopes, as tropas paulistas ficaram isoladas, recebendo apoio apenas do então Mato Grosso, ao contrário das expectativas de auxílio de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul. O governo federal reagiu com uma força de 100 mil homens, utilizando o Exército, a Marinha e a Aeronáutica para bloquear o avanço paulista rumo ao Rio de Janeiro.
Após quase três meses de conflito e a perda de mais de 930 vidas, as tropas paulistas se renderam em 2 de outubro de 1932. Seus líderes foram presos, tiveram direitos políticos cassados ou foram exilados. Contudo, apesar da derrota militar, o movimento alcançou uma vitória política expressiva: a pressão popular forçou Getúlio Vargas a convocar eleições gerais, culminando na promulgação da Constituição de 1934.
Lavras tem fragmentos da história da Revolução de 9 de julho de 1932

Quadro dos quatro heróis paulistas da Revolução Constitucionalista: Mário Martins de Almeida, Euclydes Bueno Miragaia, Dráusio Marcondes de Souza e Antônio Américo de Camargo Andrade
11/07/1932 Assume o comando do 8º Batalhão de Caçadores Mineiros o coronel Fulgêncio de Souza Santos, herói tombado no setor do Túnel em Passa Quatro por uma bala inimiga, no dia 13 de julho do mesmo ano.
13/07/1932 Com a morte do coronel Fulgêncio, assume o comando do 8º Batalhão o tenente coronel José Persilva.
11/08/1932 A Filial da Cruz Vermelha Brasileira instala um banco de sangue e um hospital de campanha para socorrer os feridos dos combates da Revolução de 32, onde atendeu 461 pessoas e trabalhavam 27 profissionais, entre médicos e enfermeiras.
20/05/1933 O secretário Carlos Prates, comunica através do ofício 12.433, que a Secretaria de Estado dos Negócios do Interior, liberou a quantia de 325 mil réis em favor da firma Botelho & Cia. Ltda., de Lavras, pelo aluguel de um caminhão marca "Rugby" que foi requisitado pelo Governo do Estado durante a Revolução de 9 de Julho, para transporte de tropas, armamentos, feridos e suprimentos para os soldados.
28/02/1934 Pelo decreto 11.238 o interventor federal Benedito Valadares Ribeiro, deu por sede do 8º Batalhão de Caçadores Mineiros, que era em Belo Horizonte, a cidade de Lavras. Em 21 de março chegava a Lavras o primeiro contingente que compunha esse batalhão, instalando-se definitivamente e foi célula do nosso 8º Batalhão de Polícia Militar de Minas Gerais.
21/03/1934 Chega a Lavras e se estabelece em definitivo o 8º Batalhão de Caçadores Mineiros, hoje 8º Batalhão de Polícia Militar de Minas Gerais, sendo seu primeiro comandante o tenente coronel José Persilva. O efetivo do batalhão girava em torno de 300 homens, sendo sua maioria casados.
30/07/1934 Celebrada na matriz de Sant'Anna uma missa solene em memória do coronel Fulgêncio de Souza Santos e seus intrépidos companheiros mortos no setor do "Túnel", em Passa Quatro, na revolução de 1932.
23/10/1936 Transladado para Belo Horizonte os restos mortais dos soldados tombados durante a Revolução de 1932 e que estavam depositados em 22 urnas guardadas dentro da igreja do Rosário.
Neste dia foi decretado feriado municipal e uma missa solene foi celebrada pelo descanso das almas dos soldados mineiros mortos em combate na serra da Mantiqueira.
Um cortejo foi preparado para levar as urnas até a Estação da Oeste, com um acompanhamento de várias autoridades e os estabelecimentos de ensino de Lavras se fizeram representar em toda a cerimônia fúnebre. Foi um dia de muita comoção em Lavras.
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