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Publicada em: 09/06/2026 23:38 - Atualizada em: 09/06/2026 23:48
Prefeituras de MG gastaram R$ 1,5 bilhão com artistas; Nazareno, vizinha a Lavras, está entre as 10 que mais gastaram

Na foto, Eduardo Costa, o campeão isolado de ganhos, foi R$ 27,5 milhões

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Um levantamento detalhado do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG), por meio do painel Shows Artísticos Municipais, revelou que 831 prefeituras mineiras desembolsaram, juntas, a impressionante marca de R$ 1,5 bilhão com a contratação de artistas entre os anos de 2020 e 2025. Das 853 cidades do estado, apenas 22 não registraram gastos com esse tipo de evento no período.

O avanço dos gastos chama a atenção pela curva ascendente. Em 2020, o investimento foi de R$ 13,6 milhões, recuando para R$ 6,6 milhões em 2021 (no auge da pandemia). No entanto, após esse período, os valores dispararam consecutivamente, culminando em impressionantes R$ 568,04 milhões em 2025 - uma explosão de cerca de 4.076% em comparação ao início da série histórica.

Embora as maiores fatias do orçamento tenham sido lideradas por cidades como Nova Lima (R$ 16,02 milhões) e Itabirito (R$ 15,6 milhões), a região do Campo das Vertentes aparece com forte protagonismo no ranking.

Além de Barbacena, que ocupa a terceira posição estadual com R$ 14,8 milhões investidos, Nazareno - cidade vizinha a Lavras - figura oficialmente no "Top 10" das prefeituras que mais gastaram com shows em todo o estado, integrando o grupo composto ainda por municípios como Brumadinho, Extrema, Itatiaiuçu e Curvelo.

As 5 cidades com maiores gastos em Minas Gerais são: Nova Lima (Grande BH): R$ 16,02 milhões; Itabirito (Região Central): R$ 15,6 milhões; Barbacena (Campo das Vertentes): R$ 14,8 milhões; Conceição do Mato Dentro (Região Central): R$ 14,7 milhões e, Ituiutaba (Triângulo Mineiro): R$ 13,6 milhões.

O painel do TCE-MG também mapeou quais artistas receberam os maiores volumes de dinheiro público. O mercado é amplamente dominado pelo gênero sertanejo.

Eduardo Costa lidera isolado, ele faturou R$ 27,5 milhões em apresentações por 83 cidades mineiras. Diego e Victor Hugo somaram R$ 23,4 milhões em contratos com 94 municípios. Leonardo ocupa a terceira posição, acumulando R$ 23 milhões. César Menotti e Fabiano receberam R$ 22,8 milhões em 77 cidades. Guilherme Silva registrou a maior capilaridade, recebendo R$ 22,7 milhões com shows em 126 municípios. Nomes como Fernando e Sorocaba, Gino e Geno, Clayton e Romário, Amado Batista, e Di Paullo e Paulino também figuram na lista dos mais requisitados.

O volume financeiro expressivo alerta nos órgãos de controle e no Legislativo. No final de maio, a Associação Mineira dos Municípios (AMM), representada pelo presidente Lucas Vieira, reuniu-se com o presidente do TCE-MG, Durval Ângelo, para discutir a criação de uma instrução normativa que estabeleça padrões, obrigações e proibições para esses eventos.

Paralelamente, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) avança na análise de um Projeto de Lei para impor limites rígidos a esses contratos.

O que prevê o projeto de lei em análise: teto geral: limite de R$ 500 mil por apresentação ou 1% da Receita Corrente Líquida (RCL) do município (o que for menor).

O teto inclui cachê, transporte e alimentação. Custos como hospedagem e produção ficam fora, mas não podem passar de 10% do contrato. Cidades com IDH elevado (acima de 0,800) podem ampliar o teto em até 10%. Já municípios com IDH baixo (inferior a 0,599) terão redução de até 30% no limite permitido.

Pelo menos 5% do valor total da atração principal devem ser obrigatoriamente destinados à contratação de artistas mineiros.

Na contramão da tendência estadual, um seleto grupo de apenas 22 municípios passou pelo período de cinco anos sem gastar um único centavo de dinheiro público com shows artísticos. Entre os exemplos listados pelo tribunal estão cidades de grande porte, como Juiz de Fora e Araxá, além de municípios como Andradas, Carmo do Cajuru e Entre Rios de Minas.

 
 


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