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Matéria Jornalística /


Publicada em: 16/04/2026 18:30
Informalidade ainda domina produção de cachaça no Brasil e é tema de simpósio na Ufla

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Diferente do senso comum, uma cachaça de alta linhagem não deve causar ardência excessiva nas mucosas ou queimação agressiva na garganta. Quando elaborada sob rigorosos padrões de qualidade, a bebida revela-se saborosa e detentora de um bouquet aromático complexo. O maior obstáculo para a apreciação deste patrimônio nacional, entretanto, ainda é a desinformação, que impacta não apenas a experiência sensorial, mas também a segurança do consumidor.

Com foco na educação e na prevenção, o Conselho Federal de Química (CFQ) marca presença no III Simpósio Brasileiro de Cachaça de Alambique e no VII Seminário Mineiro de Cachaça de Alambique. O objetivo é orientar os participantes sobre a segurança dos alimentos - um patamar alcançado apenas através do controle minucioso de toda a cadeia produtiva, desde a moagem e fermentação até o armazenamento e a logística de distribuição.

A presença do profissional da Química é o que assegura que o produto final esteja em conformidade com as normas sanitárias. Contudo, o consumidor também possui um papel fiscalizador. Antes do consumo, é fundamental verificar no rótulo o selo de qualidade; o número de registro nos órgãos competentes (Mapa); a integridade da vedação da garrafa e, o prazo de validade e o lote.

"Uma dica prática para o apreciador é observar o líquido no copo: a formação de pequenas gotas, as 'lágrimas', é um indicativo de harmonização entre os componentes benéficos secundários da bebida", explica Maria das Graças Cardoso, professora do Departamento de Química da Ufla e delegada regional do CRQ-MG.

A falta de boas práticas de fabricação (BPF) e a ausência de higienização adequada são as principais causas de contaminação. Bebidas clandestinas ou mal processadas podem apresentar níveis perigosos de acidez e metais pesados.

O excesso do cobre, metal usado na construção dos alambiques, na produção pode acarretar danos neurológicos severos, como rigidez muscular e tremores.

O carbamato de etila, uma substância comprovadamente carcinogênica que pode surgir de forma indesejada durante o processo de fermentação se não houver controle técnico.
Para mitigar esses riscos, a legislação exige que o produtor realize análises físico-químicas trimestrais. "É imprescindível o envio de amostras a laboratórios credenciados para garantir que o produto siga os padrões de segurança vigentes", reforça a pesquisadora.
Como braço de apoio ao setor, o Centro de Referência de Análise de Qualidade de Cachaça (CRAQC) da Ufla, sob coordenação da professora Maria das Graças, oferece consultoria gratuita e realiza todas as análises exigidas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), focando especialmente nos pequenos produtores.

A recomendação final para quem deseja se destacar no mercado é clara: a profissionalização. "É fundamental que os produtores se filiem ao Conselho Regional de Química e sigam estritamente a legislação. Ao investir em análises periódicas, higiene e rigor técnico, sem pular etapas ou adicionar substâncias não autorizadas, a entrega de uma bebida de excelência é garantida", finaliza Maria das Graças.

O III Simpósio Brasileiro de Cachaça de Alambique (III SBCA) e o VII Seminário Mineiro de Cachaça de Alambique (VII SMCA), com a temática "Cachaça e Tecnologia: Rumo à Inovação Sustentável" estão sendo realizados de hoje, dia 16 a sábado, dia 18 de abril, no Centro de Eventos da Universidade Federal de Lavras. O evento é promovido pela Ufla em parceria com a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa), e é coordenado pela professora Maria das Graças Cardoso, pesquisadora reconhecida nacionalmente e entusiasta da cachaça de alambique.

 
 



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