
Vista parcial de Lavras, a cidade cantada em verso e prosa por poetas como Belmiro Braga e Duque da Rocha
.
![]() |
@jornaldelavras |
![]() |
@jornaldelavras |
![]() |
(35) 99925.5481 |
História de Lavras - do acervo de efemérides Eduardo Cicarelli. Amanha, sábado, dia 21 de março, o mundo se une para celebrar o Dia Mundial da Poesia. Mais do que uma simples efeméride no calendário, esta data é um convite vital à introspecção e à valorização da palavra como ferramenta de mudança.
Embora Lavras seja um celeiro de talentos contemporâneos, é impossível falar de poesia local sem reverenciar a história. Em 26 de janeiro de 1910 passou por Lavras o poeta Belmiro Braga (1872 – 1937), que registrou no livro de hospedes do Hotel Moreira o seguinte:
"Meu coração (que maldade!)
Não pode encontrar palavras
Que exprimam toda bondade
Do bello povo de Lavras.
De coração, Belmiro Braga 26/01/10"
Curiosamente, a história nos traz uma coincidência temporal marcante: apenas cinco dias após o Dia Mundial da Poesia, recordamos a partida de um dos maiores nomes da nossa literatura regional. Em 26 de março de 1944, falecia o jornalista, advogado e juiz de direito Luís Duque da Rocha. Nascido em São João del-Rei em 1885, ele adotou Lavras como musa. Homem de letras e de leis, Luís Duque da Rocha partiu aos 58 anos, deixando como herança uma obra que imortalizou a cidade. São dele os mais lindos e profundos versos já escritos sobre a terra de Lavras, transformando a geografia local em puro sentimento e arte.
"A Lavras
Venho, apenas, irmã, pedir-te alguma
Terra emprestada, que restituirei
Talvez mais rica, integralmente em suma;
Não crês que o adubo, que o meu corpo encerra,
Pague, com os juros módicos da lei,
Sete palmos, não mais, da sua terra?
Eis, irmã, o contrato que proponho:
Incorporar a ti, perpetuamente,
Átomo do meu corpo e do meu sonho.
Em troca, por cinco anos tão somente,
Tu me darás descanso em chão macio.
Como se eu fôra alguém da tua gente.
(E a terra que pisei anos a fio
Pesará sobre mim tão suavemente
Que mais a crera abrigo contra o frio)
Para a posse precária dos terrenos
E as identificação do que repoisa
Esta inscrição apenas numa loisa:
"Dos amigos de Lavras menos um".
O Brasil é fértil em mestres que moldaram a identidade brasileira através dos versos. Entre os nomes imortais, destacam-se: Carlos Drummond de Andrade, Augusto dos Anjos, Castro Alves, Cecília Meireles, Ferreira Gullar, Gonçalves Dias, João Cabral de Melo Neto, Manuel Bandeira, Olavo Bilac e Vinícius de Moraes.
A poesia não é apenas um gênero literário; é o fôlego da linguagem, permitindo que o olhar subjetivo do poeta traduza o que a prosa, por vezes, não consegue alcançar.
A poesia atua como um refúgio de resistência e criatividade. Ela desempenha papéis fundamentais em nossa cultura; é o terreno fértil onde dialetos e expressões raras sobrevivem, garantindo que a pluralidade de vozes não seja silenciada pela padronização do cotidiano.
Através da metáfora e do ritmo, a poesia constrói pontes entre diferentes tempos e realidades, permitindo que sintamos a dor e a alegria do outro. Representa a máxima liberdade de expressão, onde a gramática se curva à emoção e a estética serve à verdade da alma.
|
|
|