
Manifestantes espalharam faixas pelo campus para protestar pelo descaso de Zema com a educação
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A manhã desta segunda-feira, dia 16 de março, em Lavras, foi marcada por um contraste ético profundo. Enquanto o governador Romeu Zema (Novo) cumpria agenda oficial no Centro de Referência em Análises da Qualidade da Cachaça (CRAQC), do lado de fora, o que se via era protesto. A visita, que deveria ser um ato administrativo comum, transformou-se em um cenário de resistência liderado por professores da rede estadual.
Em uma manobra que evidencia o receio do confronto democrático, a assessoria do governador agiu de forma deliberada para blindá-lo. Ao omitir a agenda oficial da imprensa e tentar manter os manifestantes à distância, o governo Zema demonstra um autoritarismo velado. A tentativa de esconder a presença do chefe do Executivo em solo lavrense não apenas desrespeita o direito à informação, mas confirma que o governo reconhece a fragilidade de seus argumentos diante da classe trabalhadora.
O protesto foi organizado pelo braço de Campo Belo do SindUTE (Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação), uma regional historicamente forte por sediar a Superintendência Regional de Educação naquela cidade. Os educadores não pediam privilégios, mas o cumprimento da lei.
Eles pediam o reajuste de 41,83%, valor necessário para alinhar os vencimentos ao Piso Nacional do Magistério. A realidade de Minas Gerais ostenta hoje uma das piores remunerações do país para o setor, com um governo que ignora o piso tanto de forma integral quanto proporcional.
A indignação dos professores sustenta-se em números que beiram o escárnio. Enquanto a educação mineira padece com o arrocho salarial e o sucateamento, Romeu Zema não hesitou em sancionar o aumento de 288% no próprio salário.
É uma contradição moral inaceitável; o governador que prega a "austeridade" para o professor é o mesmo que quadruplica os próprios proventos, sob o pretexto de atrair técnicos qualificados, enquanto afasta das salas de aula os profissionais que formam o futuro do estado.

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