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O Sul de Minas passa a contar com um reforço estratégico na vigilância epidemiológica. O Laboratório de Diagnóstico Molecular (LabMol), da Universidade Federal de Lavras (Ufla), foi habilitado para realizar o diagnóstico molecular dos vírus Oropouche, Mayaro e Febre Amarela, ampliando a capacidade regional de identificação de arboviroses emergentes.
A nova habilitação fortalece a rede de vigilância laboratorial em Minas Gerais e permite que a região avance na descentralização de exames de alta complexidade, reduzindo o tempo entre a suspeita clínica e a confirmação diagnóstica.
A estrutura do laboratório conta ainda com apoio de gestão da Fundecc (Fundação de Desenvolvimento Científico e Cultural), fundação de apoio vinculada à Uflaresponsável por dar suporte administrativo e operacional à execução de projetos de pesquisa e atividades científicas.
A habilitação ocorre em um cenário que exige atenção permanente. Dados da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais indicam que o estado registrou cerca de 1.700 casos de Oropouche em 2025. Em 2026, até o momento, não há casos confirmados.
Em relação ao vírus Mayaro, não houve registros no estado no ano passado nem neste ano. Já a Febre Amarela contabilizou 32 casos confirmados em 2025, também sem registros até agora em 2026.
Para o professor Bruno Del Bianco, coordenador do LabMol, ampliar a capacidade diagnóstica regional é uma medida fundamental para antecipar respostas sanitárias.
"Mesmo quando os números estão sob controle, a vigilância precisa estar preparada. A descentralização do diagnóstico permite detectar rapidamente qualquer mudança no cenário epidemiológico e comunicar às autoridades sanitárias com agilidade", explica.
Arboviroses emergentes exigem vigilância constante
Embora menos conhecidas que Dengue, Zika ou Chikungunya, as arboviroses Oropouche e Mayaro têm despertado atenção crescente das autoridades sanitárias brasileiras.
O vírus Oropouche, transmitido principalmente pelo mosquito Culicoides paraensis, conhecido popularmente como maruim, tem provocado surtos em diferentes regiões do país nos últimos anos.
Já o vírus Mayaro é transmitido principalmente por mosquitos do gênero Haemagogus, associados a ambientes silvestres. Estudos científicos apontam ainda evidências experimentais de que mosquitos urbanos, como Aedes aegypti e Aedes albopictus, podem apresentar competência vetorial, o que levanta preocupação quanto à possível urbanização do ciclo de transmissão.
A Febre Amarela, por sua vez, permanece como uma doença de grande relevância em saúde pública, com ciclos de transmissão envolvendo mosquitos silvestres em áreas de mata e, historicamente, também vetores urbanos.
Apesar das diferenças nos vetores e nos ciclos epidemiológicos, os sintomas dessas arboviroses são muito semelhantes, o que pode dificultar o diagnóstico clínico inicial.
"Os sintomas são inespecíficos: febre, dor de cabeça, dores no corpo e nas articulações, mal-estar. Muitas vezes o paciente acredita que está com dengue, mas pode ser outro vírus. Apenas o diagnóstico molecular permite diferenciar essas infecções com precisão", explica Del Bianco.
Segundo o pesquisador, a testagem laboratorial adequada é fundamental para orientar corretamente a vigilância epidemiológica e evitar interpretações equivocadas sobre a circulação de vírus na região.
Diagnóstico regional reduz tempo de resposta
Antes da habilitação do laboratório da Ufla, amostras suspeitas dessas arboviroses eram encaminhadas para o laboratório de referência estadual, localizado em Belo Horizonte.
Com a descentralização do diagnóstico, a expectativa é que o fluxo de análise se torne mais ágil, fortalecendo a capacidade de resposta das autoridades sanitárias.
"O diagnóstico realizado mais próximo da região reduz o tempo entre a suspeita clínica e a confirmação laboratorial. Isso permite respostas mais rápidas da vigilância epidemiológica e melhora a tomada de decisão em saúde pública", afirma o professor.
O processo de habilitação envolve rigorosa validação técnico-laboratorial. Durante essa etapa, o laboratório realiza análises comparativas com o laboratório de referência estadual.
"Se houver 100% de concordância nos testes de validação, o laboratório é habilitado para aquele determinado agravo. Já concluímos essa etapa para Febre amarela, Mayaro e Oropouche", destaca Del Bianco.
Laboratório atua diretamente no atendimento ao SUS
O LabMol atua diretamente no apoio à rede pública de saúde. As amostras analisadas no laboratório são encaminhadas por municípios atendidos pela Superintendência Regional de Saúde de Varginha.
Segundo a assistente de laboratório Jéssica Pérez, o trabalho do laboratório está integrado ao Sistema Único de Saúde.
"Trabalhamos diretamente para o SUS. Recebemos amostras enviadas pelos municípios da região, realizamos o processamento e liberamos os laudos dentro dos prazos estabelecidos", explica.
Além das novas habilitações, o laboratório já realiza diagnóstico molecular de vírus respiratórios, como SARS-CoV-2, influenza A e B e vírus sincicial respiratório, além de arboviroses como Dengue, Zika e Chikungunya, incluindo a identificação de sorotipos da dengue.
Covid segue predominante entre vírus respiratórios em 2026
Entre os vírus respiratórios analisados pelo laboratório neste início de 2026, o SARS-CoV-2 continua sendo o agente predominante.
Até fevereiro, o LabMol havia processado 352 amostras, das quais aproximadamente 45% apresentaram resultado positivo, sendo a Covid-19 o vírus mais detectado entre os respiratórios.
"O que está sendo prevalente neste momento é a Covid-19", afirma o coordenador do laboratório.
Também foram identificados casos de influenza A e influenza B, dentro do padrão sazonal esperado.
A ampliação da capacidade diagnóstica reforça o papel das universidades públicas no apoio ao sistema de saúde e na vigilância de doenças emergentes que podem impactar diferentes regiões do país.





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