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Matéria Jornalística /


Publicada em: 03/03/2026 16:18
Cooperativa feminina em Ijaci transforma resíduos em energia e dignidade

O material que não é reciclado vai para o forno da cimenteira para ser queimado e gerar energia

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Em parceria com a InterCement Brasil, a Camare deu destino sustentável a 74 mil toneladas de resíduos em 2025, provando que a reciclagem é, acima de tudo, uma força feminina.

O cenário de sol forte, chuva e as condições insalubres do lixão municipal de Ijaci ficaram no passado para dezenas de mulheres. Desde 2008, com a criação da Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis (Camare), o que era descarte tornou-se a base de uma revolução social e ambiental na região.

A Camare destaca-se por ser uma cooperativa majoritariamente feminina. No cotidiano, as cooperadas dividem-se entre a logística da coleta seletiva nas ruas e o trabalho técnico no galpão. Ali, o material é separado minuciosamente por categorias e cores - plásticos, vidros e borrachas - antes de ser prensado e comercializado.

O trabalho é pesado e exige fôlego, o que costuma surpreender os visitantes que questionam se são apenas mulheres que operam as máquinas e movem os fardos pesados.

Um dos grandes diferenciais da Camare é a gestão dos itens que normalmente não teriam valor de mercado, como restos de móveis, tecidos e embalagens laminadas. Graças a uma parceria sólida com a InterCement Brasil, esse material - que antes sobrecarregaria aterros sanitários - ganha uma nova utilidade: o coprocessamento.

Somente em 2025, a cooperativa forneceu mais de 74 mil toneladas de resíduos para a unidade fabril da InterCement em Ijaci.

A empresa utiliza esses resíduos como combustível alternativo em seus fornos, substituindo combustíveis fósseis por biomassa e outros materiais reaproveitados. Além de adquirir o material, a companhia investe na capacitação profissional das mulheres e no fornecimento do maquinário necessário para a operação.

Para além dos números ambientais, o impacto mais profundo é humano. A transição do lixão para o galpão estruturado trouxe independência financeira e resgatou a autoestima das cooperadas.

"É um projeto voltado para mulheres, administrado por mulheres e negociado por mulheres. Ali só tem mulheres muito fortes", destaca Luís Barreto, especialista em Meio Ambiente da InterCement. O sentimento é compartilhado por Rafael Mauri, gerente de Coprocessamento da companhia: "Fazer parte de um projeto que tem as mulheres como grandes protagonistas do negócio não tem preço. É uma honra".

 


 
 



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