
Foto do Jornal de Lavras que retratou o deslizamento no dia 30 de janeiro do ano passado. Esta semana a garagem do imóvel desceu
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O que era um temor constante tornou-se uma realidade devastadora para os moradores da rua Capitão Valentim, em Lavras. O cronômetro do desespero começou a girar em 30 de janeiro de 2025, quando um temporal de grandes proporções causou um deslizamento severo no final da via. Na ocasião, a força da terra levou consigo o muro de arrimo que sustentava o terreno - uma estrutura antiga, erguida ainda na década de 80 durante a gestão do então prefeito Célio de Oliveira, após um incidente semelhante naquela época.
Logo após o desastre de 2025, o cenário parecia caminhar para uma solução. A Defesa Civil isolou a área, emitiu laudos técnicos e condenou duas residências que apresentavam danos estruturais graves (foto 1). O Secretário Municipal de Obras, Robert Vilas Boas, chegou a acompanhar as vistorias pessoalmente. No entanto, o que se viu nos meses seguintes foi o avanço do silêncio administrativo em vez das máquinas de reparo.
Com a evacuação forçada de um dos imóveis, a residência tornou-se alvo de criminosos. Sem segurança ou perspectiva de reforma, marginais saquearam o local, levando fiação elétrica, torneiras e outros objetos.
O segundo morador, que inicialmente resistiu em deixar seu lar, acabou rendido pelo medo. Sem providências da Prefeitura, as fendas no solo se alargaram e pequenos desmoronamentos tornaram-se rotina a cada chuva.
Hoje, um ano após o primeiro sinal de alerta, a situação atingiu um ponto crítico. As chuvas que atingem Lavras nesta semana foram o golpe final para parte da estrutura que ainda resistia: a garagem de uma das casas desabou completamente. O desabamento deixou um poste da Cemig (Companha Energética de Minas Gerais) seguro apenas pela fiação, podendo desabar a qualquer momento e afetar todos os moradores da rua, deixando todos os imóveis sem energia elétrica (fotos 2 e 3).
O colapso da garagem não é apenas uma perda material, mas um sinal claro de que o terreno está cedendo de forma acelerada. Atualmente, as duas casas condenadas estão na iminência de desabar por completo a qualquer momento, o que transformou a vizinhança em um cenário de guerra e incerteza.
"A sensação é de que estamos esquecidos. O muro caiu há um ano e nada foi feito. Agora a garagem se foi, e amanhã pode ser a rua inteira", relata uma moradora que prefere não se identificar.
A preocupação já não se restringe apenas aos proprietários dos imóveis interditados. A vizinhança teme um efeito dominó: com a erosão avançando sem contenção, as casas adjacentes e o próprio asfalto da rua sem saída começam a apresentar sinais de instabilidade.
A comunidade da rua Capitão Valentim, que está a cem metros da praça Leonardo Venerando/Augusto Silva, no centro de Lavras, cobra uma resposta imediata da Prefeitura de Lavras. O que se pede não é mais apenas um laudo, mas uma intervenção de engenharia urgente antes que o prejuízo financeiro se transforme em uma tragédia humana irreparável.
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