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Publicada em: 28/01/2026 19:15 - Atualizada em: 28/01/2026 19:31
EDITORIAL | Violência juvenil: de Lavras ao caso Orelha, o preço da omissão

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Os recentes episódios de violência envolvendo jovens e animais em diferentes pontos do Brasil - o espancamento que resultou na morte de Rômulo José Balbino, em Lavras, e o ataque ao cão Orelha, em Santa Catarina -acenderam um alerta vermelho na sociedade. Embora os cenários e as vítimas sejam distintos, o fio condutor é o mesmo: a banalização da vida e a fragilização de uma base educacional sólida.

Em Lavras, um idoso de 63 anos perdeu a vida após agressões praticadas por um menor, que contou ainda com o auxílio de um cão para imobilizar a vítima. Em Santa Catarina, a crueldade se voltou diretamente contra um animal indefeso, o cão Orelha, agredido por um grupo de jovens.

Um detalhe alarmante que une os casos é a instrumentalização do animal. Em Lavras, o cão foi utilizado como meio de ataque; em Santa Catarina, o animal foi a vítima da violência juvenil. Em ambos os episódios, o animal acaba refletindo o ambiente em que está inserido. Um jovem que estimula um cão à agressividade ou que se sente autorizado a violentar um animal revela falhas graves em seu processo de formação, que deveriam ter sido identificadas e enfrentadas no ambiente doméstico.

Esses atos não são isolados. Eles são o sintoma de uma parcela da juventude que, em determinados contextos, parece ter perdido a capacidade de empatia. Quando o "outro" - seja ele um idoso vulnerável ou um animal sem voz - passa a ser tratado como objeto de descarga de agressividade, é sinal de que o tecido social está falhando em algum ponto.

É impossível discutir a violência juvenil sem questionar o papel dos responsáveis. Psicologia e direito convergem em um ponto: educar é um dever jurídico e moral contínuo. Vivemos uma era em que, em muitos casos, pais ou responsáveis transferem a formação dos filhos para a escola ou para a tela do celular. O resultado, frequentemente, é a fragilização de valores fundamentais, como o respeito à autoridade e à integridade física alheia.

O excesso de liberdade sem a devida orientação contribui para a formação de indivíduos que não sabem lidar com frustrações, reagindo de forma explosiva diante de conflitos. Juridicamente, os pais respondem civilmente pelos danos causados por seus filhos menores. Essa responsabilidade, contudo, não se limita ao aspecto financeiro; ela envolve a negligência em observar, corrigir e acompanhar comportamentos agressivos que, na maioria das vezes, se manifestam antes de uma tragédia.

A responsabilização dos menores, conforme previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), é necessária, mas paliativa. Enquanto a sociedade não cobrar uma postura mais ativa e vigilante dos pais e responsáveis - no cotidiano familiar, escolar e comunitário - casos como o de Lavras e o do cão Orelha continuarão a se repetir. A violência juvenil não nasce no vácuo; ela é cultivada no silêncio e na omissão de quem deveria dar o exemplo.
 

 
 



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