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Publicada em: 02/03/2014 00:34 - Atualizada em: 03/04/2014 10:52
Entrevista: escritor lavrense é destaque na Literatura Nacional
Com meia centena de títulos editados e parceria com quinze editoras, Adriano Messias leva o nome de Lavras em suas obras de literatura fantástica

Capas de três livros do escritor lavrense

 

Siga-nos no Twitter: @jlavras

Adriano Messias nasceu em Lavras e é hoje um dos autores mais lidos pelos adolescentes brasileiros. Com cerca de cinquenta títulos de literatura infantojuvenil publicados, já recebeu vários prêmios e menções, como a indicação ao Prêmio Jabuti e o selo "Altamente Recomendável". Suas obras também estão presentes em grandes eventos literários, como as feiras e salões do livro de Bologna, de Frankfurt, de Paris, São Paulo e Rio. Em seu doutorado em Comunicação e Semiótica, Adriano desenvolve pesquisa sobre a literatura e o cinema fantástico, suas grandes paixões. Ele foi pesquisador na Sorbonne Nouvelle e na Universidade Paris 8 (Paris) nas áreas de Cinema e de Psicanálise lacaniana, e atualmente reside em São Paulo, capital, onde desenvolve diversos projetos de literatura e teatro. Em sua série literária de maior sucesso e que já está no sexto volume (Contos para não dormir/ Editora Biruta), Lavras, Ijaci, Macaia e diversas localidades vizinhas se tornaram cenário dos mais assustadores e divertidos episódios sobrenaturais. Nesta entrevista, Adriano conta um pouco sobre seu trabalho.

 

Por que Lavras e Ijaci sempre fazem parte de alguns de seus livros?

Nasci em Lavras. Ijaci é a terra de minha mãe e de meus avós maternos. É também a terra dos Vilas Boas que vieram do norte de Portugal fincar raízes do lado de cá do Atlântico. Esta gente ancestral está sempre em meu imaginário de escritor. Fui investigá-los no Minho e percebi que toda origem genealógica é em grande medida fabulada. Por isso, reinventei Lavras e Ijaci em minha série Contos para não dormir. Um dos livros é inclusive considerado um best-seller juvenil no Brasil: Histórias mal-assombradas de Portugal e Espanha. É um livro muito premiado.

 

Quando você descobriu que queria ser um escritor?

Desde menino me sinto vocacionado a escrever. Eu tinha 12 anos quando pensei mais seriamente em viver como autor de livros, mas a caminhada sempre foi longa. É uma profissão que exige muita dedicação e estudo. Depois que publiquei meus primeiros livros, vi que meu trabalho passava a fazer parte das leituras da meninada no Brasil, sobretudo nas escolas. Com isso, acho que acertei em minha escolha profissional. Gosto muito do meu público leitor.

 

Quais são suas influências literárias?

Muitas, desde autores nacionais a autores de outros países. No Brasil tenho muito apreço pelas obras de Guimarães Rosa e Murilo Rubião. Gosto também dos autores franceses e ingleses do século XIX. Eu os leio e releio, e tenho alguns projetos de tradução e adaptação de algumas obras francesas que merecem maior visibilidade em nosso país.

 

Como você vê os jovens e a leitura no Brasil de hoje?

Falta ainda uma cultura do livro mais sólida no Brasil. A leitura prazerosa sempre foi considerada algo menor. Parece que lentamente este panorama tem começado a mudar. Porém, temos um longo caminho pela frente, se nos compararmos a países de cultura letrada mais consistente, como a França e a Alemanha, por exemplo. As escolas é que têm sido, no Brasil, as grandes responsáveis pela formação de leitores. Por isso, nas mãos do professor está uma grande responsabilidade.

Se, desde pequenos, não somos expostos aos livros, se não lemos o que gostamos, será difícil entrar na juventude como um leitor amadurecido. A leitura é um hábito, e isso quer dizer que é algo que se constrói, ou seja, é do plano do artificial, e não do natural. Ninguém nasce gostando de música de boa qualidade. Ninguém nasce sabendo apreciar artes plásticas. Por que seria diferente com o livro?

O incentivo à leitura tem surgido em nosso país por meio de excelentes planos de governo que levam livros às escolas e bibliotecas públicas, por exemplo. Participo de diversos projetos, visito vários estados do país e vejo que há uma tendência a melhorias. Hoje, há muito mais acesso aos livros do que antes. Há mais bibliotecas, o livro se torna cada vez mais barato e a internet tem ajudado bastante na universalização do conhecimento. Mas ainda é preciso que o brasileiro tenha uma relação mais espontânea e afetuosa com os livros.

 

Por que literatura para crianças e jovens?

Porque eu fui um menino que amava livros e que teve livros à disposição. A biblioteca de uma das escolas em que estudei era atendida por um programa do governo chamado "Salas de Leitura". Aquele programa levava livros de montão às escolas, e eu literalmente vivia mergulhado naquela sala sempre cheia de novidades. Tomava muitos livros emprestados, vivia rodeado por tudo o que queria ler. Curiosamente, hoje sou amigo de muitos escritores e escritoras que fizeram parte da minha formação.

Digo ainda que a literatura pode nos salvar de várias formas, e acredito que o Brasil melhorará bastante quando os investimentos na formação cultural forem mais consistentes. Fala-se o tempo todo em recursos paliativos e soluções extremas para o estado de violência e de atos hediondos a que a sociedade chegou. Quando, porém, se olha para o que não foi feito nas últimas décadas, nota-se que o estrago é mesmo grande. Parece que ainda não se conseguiu avaliar a capacidade que os livros têm de ajudar a estruturar a vida dos sujeitos. Sem didatismo, sempre afirmo que um livro de qualidade, por si só, tem a força de tornar as pessoas mais sensíveis. E temos de ler por ler; ler porque é gostoso, porque é divertido, porque é bom. Meu intuito como autor é colaborar para que os jovens leitores consigam formar gerações mais leitoras e mais críticas.

 

O que levou você a escrever sobre monstros?

Eu sou conhecido sobretudo como autor de livros infantojuvenis. Dentro deste segmento, eu me considero em grande parte autor de literatura fantástica. Penso que os monstros são quase sempre uns injustiçados. Muitos deles trazem uma história de abandono e ingratidão. A mim interessa buscar uma arqueologia do monstruoso para dizer algo sobre o que vem a ser o humano hoje em dia. Levo isso muito a sério. Tanto é que chegou a ser o tema de minha tese de doutorado na PUC de São Paulo, com o apoio da Fapesp, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. Os monstros são alguns dos vários "outros" do ser humano.

Para você, escrever um livro, antes de tudo, é... Domar a linguagem. Escrever um livro, para mim, é algo bem distante daquela concepção romântica de "evasão" ou "sublimação de ideias" pela escrita. Escrever é um ato difícil, ao contrário do que vemos hoje. O excesso de textos que o mundo das tecnologias virtuais nos proporciona e a facilidade com que alguém vem a ser considerado escritor fazem com que muita gente acredite que basta se assentar em frente ao computador e criar uma história. Ah, se fosse apenas fazer uma história!.. Mas não é. Texto é forma, e a língua materna pede estudo, entendimento, ensaio. Quantos anos são necessários para o corpo se dobrar e desdobrar aos passos do balé? E por que um escritor se faria em um estalo de dedos? Então, que todo escritor se dobre à forma antes de pensar somente nos conteúdos, nos enredos.

 

O que você gosta de ler?

Atualmente, leio muitos livros de meus campos de estudo. Sou da área de semiótica e psicanálise. Vivo rodeado de livros. Também leio ficção, sobretudo autores clássicos. À medida que compreendemos melhor a leitura, vamos ficando mais exigentes. Não há tempo para ler tudo, nem a respeito de tudo. Temos de descobrir o que nos dá mais prazer. Por isso, formar-se como um bom leitor é fundamental para saber escolher o que ler.

 

Quais livros você vai lançar nos próximos meses?

No primeiro semestre deste ano, lanço Aluado e outros contos de alumbramento (Giz Editorial), que já está sendo rodado. São sete contos sobre questões da adolescência com um pano de fundo sobrenatural. Também vai sair Maurícia (Editora Baobá), um romance histórico juvenil sobre as impressões de um garoto frente à chegada dos holandeses em Pernambuco. E um livro bilíngue (português e guarani) para crianças de três e quatro anos, sobretudo as de comunidades indígenas, Mymbakuera ha Sa'ykuera (Duna Dueto). Ainda há outros títulos que devem sair no decorrer deste ano, além de uma tradução de Voltaire, A princesa da Babilônia, que ficou muito bem ilustrado.

 

Você tem um blog para que o leitor possa conhecer mais sobre seu trabalho, não é mesmo?

Sim. Sempre deixo informações sobre meus livros por lá... Quem quiser, pode visitá-lo no endereço: http://adrianomessiasescritor.blogspot.com.br/ 

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