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Publicada em: 16/05/2010 20:58 - Atualizada em: 02/11/2011 11:42
50 anos da Indústria de Cal SN, de 70 mil toneladas/ano para 50 mil toneladas/mês
"Fizemos nossa história com calcário, mas nas comemorações de nosso aniversário aqui em Lavras gostaria que o foco fosse a nossa unidade de brita e a produtora de concreto".

    

       Usina de concreto SN, no anel viário, estrada do Madeira

 

O Brasil nos anos 60, é claro, era muito diferente de hoje. Era um país extremamente instável politicamente e economicamente e não era o cenário ideal para se iniciar uma empresa.

Mas foi exatamente isto que Sebastião Naves fez, há 50 anos, quando fundou a Indústria de Cal SN aqui em Lavras. Talvez não imaginasse o seu crescimento nestes 50 anos. O escritório fica até hoje no mesmo local onde tudo começou, logo após o pontilhão da estrada de Ferro Centro Atlântica (FCA) no acesso para Ijaci.

Sebastião Naves era funcionário de uma empresa de cal da região e percebeu que poderia produzir seu próprio cal em pequenos fornos artesanais de barranco, e assim fundou no dia 13 de maio de 1960, sua própria empresa. Sebastião Neves, apesar de ter cursado apenas o primário, era uma pessoa de visão, vivia para o trabalho, fazia sua própria contabilidade, argumentava muito bem e percebeu que deveria criar um setor de moagem de calcário, o que fez no local que é hoje o Galpão Cidadão.

A empresa, através de uma administração austera sempre prosperou, talvez lentamente, mas de maneira segura e contínua. Em 1978, Sebastião Naves, com quatro filhas e nenhum filho homem, estava preocupado com a sucessão e convenceu seu genro Iram Ricardo Alvarenga a assumir a direção da empresa.

"Na época eu morava em Guaratinguetá, tinha feito agronomia e trabalhava na Secretaria de Obras do Estado de São Paulo. Quando meu sogro fez a proposta achei interessante, mas fiquei com medo de não me adaptar. Aceitei, mas por segurança pensei que em dois anos eu saberia se me adaptaria ou não. Dois anos viraram 32 anos..." lembra Iram.

Assim que tomou pé da empresa, Iram percebeu que o grande trunfo da Indústria de Cal SN era sua administração criteriosa, mas que a empresa necessitava de uma modernizada na tecnologia de extração e moagem do calcário.

"Não sabia o que era, mas sentia que havia alguma coisa errada na maneira como se trabalhavam na pedreira, na extração do calcário. Lembrei-me de um amigo em Guaratinguetá que jogava basquete comigo e que era responsável pela Pedreira Itaguassu da Serveng, que fornecia brita para quase todas as estradas e obras do Vale do Paraíba. Ele me convidou para visitar a pedreira e me deu todas as dicas. No final da visita, num bloquinho escreveu 6 dicas que julgava fundamentais, destacou a folha e me deu de presente. Voltei para Lavras sabendo que deveria mudar muita coisa".

Iram voltou para Lavras com os seus 6 mandamentos na folha do bloquinho, decidido a modernizar a empresa e se surpreendeu com a receptividade de Sebastião Neves às novas idéias. Se a sua administração era austera, no momento de investir agia com bastante desprendimento.

 "Neste momento a frase de Sebastião Naves era; vamos lá, vamos fazer", lembra Iram.

Com o apoio de Sebastião Naves, a visão, a empolgação e tino comercial de Iram Ricardo Alvarenga, a Indústria de Cal SN deixou de ser apenas uma empresa bem administrada para se tornar também um empresa moderna, focada em tecnologia.

Em 1981 a empresa recebeu mais um reforço: Kenia Rocha Naves que assumiu a diretoria comercial e deixou Iram mais solto para a gerenciar a estratégia da empresa.

Uma das primeiras providências foi ampliar e modernizar a moagem, transferindo a unidade para ficar ao lado da jazida. As instalações foram ampliadas e foram realizados investimentos para fornecer um produto de maior qualidade.

"O mercado que atendíamos era a princípio o de vidro e rações. Com a modernização, passamos a produzir também calcário em granulometrias bem finas para atender o mercado de pisos cerâmicos, mantas impermeabilizantes, borrachas, tapetes, fibra de vidro, e hoje fornecemos calcário para diversas empresas em todo país, inclusive as multinacionais" explica Iram.

Mas se a empresa estava com uma administração austera, se atualizando tecnologicamente, os anos 80, a crise do petróleo e a administração caótica de nossa economia por pouco não deixam seqüelas na saúde de Iram Alvarenga. Talvez os mais jovens não lembrem, mas administrar uma empresa naquele período era uma experiência tenebrosa, os preços dos produtos variavam diariamente, administração naquele período envolvia além de talento, austeridade, otimismo, também muita sorte. Muitos departamentos financeiros de empresas, lembravam mais um cassino do que uma empresa, tal era a correria para se aplicar dinheiro e perder o menos possível com a inflação.

"Era um horror, não existia possibilidade de planejar nada, a única coisa possível era - o que posso fazer hoje? Assim a empresa atravessou  8 planos econômicos, 2 congelamentos e 1 confisco. Não sei como minha saúde agüentou; minha digestão, que naquela época era péssima, hoje é ótima" lembra Iram.

Mas mesmo dentro de uma economia caótica, a Indústria de Cal SN seguiu em frente, adquiriu a empresa de Calcinação Vitória no município de São João del-Rei e em 1992 voltou-se para o mercado local e montou na Fazenda do Madeira uma unidade produtora de brita para atender a região. Em 1997,  já com a economia estabilizada com o plano real, o grupo criou uma unidade produtora de concreto usinado, agregada à produtora de brita.

"Um dos meus maiores orgulhos foi a criação de nossa unidade produtora de brita e de concreto. Como empresa mineradora percebemos a oportunidade, achávamos um absurdo: Lavras comprar brita em Campo Belo. Quando entramos no mercado diminuímos em 40% o preço da brita em Lavras. Com 5 anos o empreendimento decolou e criamos nossa unidade produtora de concreto. Começamos fornecendo 12 mil toneladas de brita hoje fornecemos 30 mil toneladas e o mercado quer sempre mais", explica Iram, que tem um carinho especial com as duas unidades, pois envolvem Lavras, a cidade em que mora, e sua região. Além de beneficiar a cidade caindo o preço da brita e do concreto para os consumidores lavrenses, o investimento mostrou-se um bom negócio. Se até há 3 anos o faturamento das unidades não era significativo, agora é, e representa aproximadamente 30% do faturamento do grupo, resultado de um compromisso com a qualidade e bom atendimento.

Em 2008, chegou a vez de Iram passar o bastão da empresa, primeiro foi seu filho Fernando e depois Ricardo. Os dois conviviam com a empresa desde criança: aos 12 anos faziam trabalho de contínuo e de banco para o pai. Com isso garantiam uma mesada  de R$ 5 por semana, o que, acreditava Iram, era um régio pagamento.

Fernando Naves Alvarenga formou-se em Engenharia de Minas e é hoje o diretor comercial da empresa; Ricardo Naves de Alvarenga é formado em Engenharia Civil e Segurança e é o diretor industrial. Assim como Iram, trouxe uma nova postura. A 3ª geração, ao assumir, também trouxe um novo olhar para o futuro da Indústria de Cal SN e assim como Iram, contou com o apoio de Sebastião Naves. A 3ª geração também conta com o otimismo incorrigível de Iram Alvarenga, que agora atua mais como consultor, dividindo sua experiência.

O investimento em tecnologia e na qualidade da moagem está recebendo uma atenção ainda maior da nova diretoria que pretende conquistar cada vez mais o mercado ultrafino.

"Este é um mercado extremamente seleto. Existem apenas 2 ou três empresas nele, atendendo, por exemplo, o mercado de tintas, o mercado automobilístico. Como nosso produto já é de alta pureza, procuramos cada vez mais mercados que valorizem nosso produto e já atendemos alguns, como o segmento de fibra de vidro, alimentação animal, indústria farmacêutica etc.", explica Fernando Naves Alvarenga sobre os investimentos em tecnologia na empresa.

"Antes de fechar um contrato são feitos testes extremamente minuciosos pela empresa interessada. Por exemplo, para ração animal não pode existir a menor possibilidade da presença de magnésio. Numa granja, se as galinhas receberem ração com magnésio terão uma diarréia tão violenta que morrerão todas", aproveita Iram para complementar a observação de Fernando.

O mercado nestes 50 anos cresceu muito, e muitos clientes que tinham grande peso no faturamento da SN, não fazem mais parte de sua carteira de cliente, apesar da entrada de novos, como a Santa Marina, do grupo francês Saint-Gobain, um dos maiores produtores de vidro do mundo, que comprou sua própria jazida, a Eternit e Brasilit, que desenvolveu novas tecnologias. O mercado, além de crescer, também se modifica e chama atenção para as empresas não dependerem de um único segmento. Com este espírito que além da abertura de mais uma filial para produção de calcário em Pains, a empresa está abrindo em Poços de Caldas uma unidade para fabricação de produtos refratários.

"Hoje os mercados em que atuamos estão bem sãao o de calcário, o de brita e o de concreto. Se a construção está hoje em um momento excelente, e se o calcário ficar ruim o concreto segura. Da mesma forma como o mercado de calcário para pisos de porcelana caiu, outros como de alimentação seguraram. Diversificação é importante neste sentido. Acreditamos no mercado de tijolos refratários e como o setor de argila está dentro de nosso segmento de mineração, estamos apostando em diversificar com a unidade de refratários a ser criada em Poços de Calda", aposta Fernando Naves Alvarenga.

Hoje o grupo gera cerca de 220 empregos diretos e com a nova direção da empresa o Grupo SN está ainda mais atento à questão ambiental e além dos programas internos, está desenvolvendo parcerias com instituições expressivas para o desenvolvimento de projetos de educação ambiental para escolas de Lavras. Projetos que serão acrescentados aos projetos sociais realizados pela empresa.

"A gente tem orgulho do nosso compromisso social, de nossa seriedade administrativa, de nunca um cheque nosso ter retornado, mas precisamos ter também um compromisso com as próximas gerações, nossos filhos, nossos netos, daí a nossa intenção de estruturar um projeto educacional ambiental. Precisamos pensar no futuro das próximas gerações",  finaliza Iram, em um projeto que faz parte tanto dos sonhos dele como também da 3ª geração: Fernando e Ricardo Naves Alvarenga.

    

      Ao centro, Iram Alvarenga, com seus filhos, a terceira geração do Grupo SN

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