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cotidiano / Política /


Publicada em: 03/08/2010 00:51 - Atualizada em: 03/08/2010 12:34
Professor de paisagismo da Ufla é a favor da construção do prédio da Câmara
O professor de Paisagismo e Arborização Urbana da Universidade Federal de Lavras (Ufla), Silvério José Coelho, falou com a reportagem do Jornal de Lavras sobre a polêmica da "Praça Santo Antônio".

     

        Silvério José Coelho, professor de Paisagismo e Arborização Urbana, da Universidade Federal de Lavras

 

O professor Silvério José Coelho, da Universidade Federal de Lavras (Ufla), responsável pela disciplina de Paisagismo e Arborização Urbana, conversou com a reportagem do Jornal de Lavras sobre a questão da polêmica da construção do prédio da Câmara Municipal. Ninguém melhor que ele para responder as questões sobre a polêmica. Para ele, a cidade se estabelece como um sistema estável, porém dinâmico, pois durante seu processo de formação/crescimento/desenvolvimento cria uma rede complexa de bens e informações que vão tecendo sua história ao longo do tempo, história essa, consolidada sempre pela ação antrópica, isolada ou coletiva e que dá identidade ao espaço urbano.

Ele disse que os registros desse processo histórico são os mais diversos possíveis, e podem estar, ou não, consolidados nas diversas interfaces da vida urbana. Há, por exemplo, os registros estruturais como a arquitetura, o traçado das vias e os espaços de uso comum (praças, parques e jardins) e os registros documentais constituídos, principalmente, por materiais impressos. Nessa última categoria incluem-se os jornais e livros que registram as histórias locais, além de toda a documentação gerada pelos poderes executivo, legislativo e judiciário, responsáveis pelos processos políticos, administrativos e judiciais ao longo do tempo. Há ainda os bens culturais e os bens imateriais, mas que não será objeto dessa reflexão.

A polêmica gerada pela construção do novo prédio da Câmara Municipal, no local a que se convencionou chamar "Praça Santo Antônio", merece, segundo ele, uma análise dentro desse contexto. Até agora, segundo consta, não surgiu nenhuma argumentação mais sólida, embasada, inclusive, por documentação histórica: onde estão os registros oficiais que identificam a época de criação, o traçado arquitetônico, o estilo de concepção, o engenheiro/arquiteto responsável e as atividades inerentes a uma praça que ali aconteciam?

Silvério disse que nos seus arquivos de memória, que somam mais de cinqüenta anos, não consta aquele espaço como sendo uma praça. "Aliás, lembro-me que antes da Câmara Municipal, funcionou ali a antiga rodoviária, com um sistema medieval de emissão de passagens que acarretava filas enormes. Também não me lembro de ter sido um local ajardinado, com bancos, coreto, jardins floridos, apresentações musicais e casais enamorados em noites de lua cheia ou gente solteira fazendo seu "footing" em busca de alguém..."

Ele ainda questiona: "e quem quer que se proponha a buscar estas informações, onde encontrá-las? Na Prefeitura Municipal? No Museu Bi-Moreira? Na Câmara Municipal?"

Nem mesmo no passado remoto, décadas de 40 e 50, a tal Praça Santo Antônio, nunca possuiu nada que lhe valesse o nome. O local onde hoje funciona o velório municipal era um descampado onde, eventualmente, circos eram montados.  Recentemente, e até bem pouco tempo antes do início das obras da nova Câmara Municipal, fora o verde das sibipirunas – que, aliás, nem são mais recomendadas para a arborização viária, o local abrigava a antiga Câmara Municipal, uma frota de caminhões destinados a pequenos serviços de transporte e mudança, uma banca para a venda de miudezas diversas e, espaço para estacionamento de veículos, nada mais... Isso, estruturalmente, porque, de uso, principalmente à noite, a tal "praça" nada lembrava o lazer contemplativo e romântico tão comum a esse tipo de espaço público.

 Na verdade, Lavras sempre se caracterizou por um vazio conceitual quanto a seus espaços públicos, aspectos arquitetônicos e personagens históricos: alguém ia namorar ou levava os filhos para passear na Praça Santo Antônio? Já assistiu alguma apresentação artística ou, sentado em um banco, contemplou os seus jardins?

Exemplificando, a cidade de Belo Horizonte, na II Conferência Municipal de Política Urbana (1999) estabeleceu diretrizes básicas para a implantação de áreas verdes e similares, conceituando, assim, espaços públicos urbanos como praças, parques, largos e jardins, entre outros. Praça foi definida como "espaço livre de uso público e abertos, originado do traçado básico da malha urbana e, geralmente, complementador e estruturador do sistema viário e cujas finalidades são as de recreação pública, do encontro coletivo, do ornamento e da cultura".

Esse mesmo vazio repete-se com relação aos aspectos arquitetônicos e personagens históricos: alguém se lembra de algum movimento ou indignação, efetivos, quando alguns casarões foram, recentemente, literalmente "tombados"?   Existe algum levantamento/registro dos imóveis históricos que restam na cidade? Algum movimento para sua preservação? Alguém se lembra de alguma homenagem significativa a Firmino Costa, um dos maiores educadores brasileiros? Será que os lavrenses têm consciência da importância histórica deste personagem?

Ponto positivo e, louvável, nessa história toda é que um segmento da comunidade tenha colocado em xeque a questão das áreas verdes públicas – praças e parques – da cidade. Dos 12 m² (doze metros quadrados) de áreas verdes públicas recomendados pela Organização Mundial de Saúde – OMS, Lavras possuía em 2001, menos de 1m² de área verde pública por habitante. Com o atual processo de crescimento que a cidade está experimentando esse índice não deve ter mudado muito; pode até ter diminuído. Vale lembrar também a falta de conservação/manutenção de nossas praças e a ausência de parques urbanos, sobre os quais, a mesma OMS recomenda um parque urbano para cada grupo de quarenta mil habitantes. 

Outra questão importante nessa história é a memória da cidade em seus aspectos cultural, científico, sócio-econômico e político. Mas isso merece outra reflexão.

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