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Publicada em: 09/10/2019 08:05 - Atualizada em: 10/10/2019 08:19
Projeto em Lavras desenvolve talentos há 26 anos
Estudantes e servidores da Ufla dão sua contribuição e representam hoje 62% dos voluntários

Educadora Zenita Guenther, concedendo uma entrevista a uma emissora de televisão de Santa Cataria, quando participou de evento, como palestrante, a convite do governo daquele estado

 

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É comum o entendimento de que crianças e jovens com algum tipo de déficit ou obstáculo à aprendizagem precisem de um acompanhamento especial. Mas o que muitas pessoas não imaginam é que as crianças com capacidades, habilidades e talentos acima da média também necessitam de um apoio direcionado para desenvolver suas potencialidades.

Movida por essa constatação, a educadora e psicóloga Zenita Cunha Guenther idealizou o Centro para Desenvolvimento do Potencial e Talento (Cedet), que se tornou realidade em Lavras e se mantém em atividade há 26 anos. E a comunidade acadêmica da Universidade Federal de Lavras (Ufla) dá sua contribuição: atualmente, dos 45 voluntários em atividade no Cedet, 28 são da Universidade (62%). Estudantes e servidores dedicam tempo e empenho para ajudar a colocar em prática planos de trabalho individuais e coletivos que buscam conduzir esses jovens na expansão de seus talentos.

De acordo com o Cedet, a parceria com a Ufla é histórica - de 2003 a 2019 foram 541 voluntários atuando com os alunos, sendo 243 deles (45%) ligados à Ufla. A Universidade também cede espaço físico para a realização de atividades com os alunos. As áreas pedagógicas contempladas pelo Cedet são "Criatividade, habilidades e expressão", "Humanidade, comunicação e organização" e "Ciências, investigação e tecnologia". Os jovens, de acordo com suas aptidões, têm acompanhamento com música, teatro, astronomia, robótica, entre outras.

A estudante do curso de Nutrição Bárbara Andreata Avelar conheceu o trabalho do Cedet em 2018, quando acompanhava outro voluntário em uma atividade. "Fiquei apaixonada pelo que vi, por ser uma experiência diferente daquelas que costumamos ter na educação tradicional. Efetivamente é sair do mundo abstrato e ir para a prática. Logo pensei que poderia contribuir na minha área de atuação - a Nutrição". Em 2016, Bárbara se tornou voluntária atuando tanto em "Nutrição aplicada à culinária" quanto com "Anatomia Humana". Ela diz que é a realização de um sonho, já que sempre foi encantada pela área do ensino. "Poder ter essa experiência no fim da graduação é algo muito enriquecedor: com a bagagem acumulada durante o curso, posso agora compartilhá-la com esses jovens, e estimulá-los no caminho do conhecimento".

O doutorando em Botânica Aplicada André Maciel da Silva também iniciou atividades no Cedet em 2019. Conta que a equipe do Cedet estava à procura de voluntários na área de Biologia e ele logo percebeu que poderia ajudar. "Sou formado em licenciatura; além da pesquisa, tenho paixão pelo ensino. É uma experiência muito boa, porque são alunos de perfil específico: foram eles que escolheram a biologia. Não é algo imposto. Então são movidos pelo interesse, e isso faz toda a diferença no trabalho".

Já o estudante de Engenharia de Controle e Automação Guilherme Valdir Marchiori da Silva, também voluntário, conta que foi aluno do Cedet e sempre teve admiração pelo trabalho. "Por querer retribuir tudo que fizeram por mim, decidi me voluntariar em 2018. Só tenho a agradecer a essa instituição que me tanto me inspirou".

Grande parte dos alunos acompanhados pelo Cedet são oriundos de escolas públicas e, na maioria das vezes, não possuem condições financeiras para investir no desenvolvimento de seu potencial. O Cedet mantém parceria com todas as escolas públicas do município, além de duas particulares. Os professores das escolas recebem uma ficha de avaliação para que possam utilizá-la na observação dos alunos, de forma a identificar aqueles que se destacam por alguma características. As crianças normalmente são identificadas entre o 4° e 6° ano do ensino fundamental, passam por nova avaliação pela equipe do Cedet e, se incluídas no projeto, são acompanhadas até o fim do ensino médio. Depois desse período, muitos deles se tornam voluntários, auxiliando novos talentos.

Em 2015, o Cedet foi convidado pelo Conselho Europeu para Capacidade Elevada (ECHA) para participar de uma rede de organizações similares na Europa e no mundo, sendo um dos únicos três centros de talentos sul americanos a ser acreditado pelo ECHA.

Mais sobre o Cedet - A iniciativa segue a metodologia "Caminhos para Desenvolver Potencial e Talento" desenvolvida por Zenita Cunha Guenther, doutora em Psicologia da Educação e mestre em Orientação e Aconselhamento Psicológico pela South Florida University. Em Lavras, no início da década de 1990, ela ajudou a criar a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), instituição reconhecida pela assistência a pessoas com deficiência intelectual ou múltipla. Mas ela não se esqueceu também do outro extremo: crianças e jovens com habilidades diferenciadas. Como a escola não consegue prestar a assistência para o desenvolvimento desses talentos, instituições que possam assumir essa tarefa prestam um serviço à sociedade. São capacidades que, se desenvolvidas e utilizadas para o bem, tendem a beneficiar não só ao indivíduo, como também a seu entorno.

Mantido pela prefeitura de Lavras, o Cedet tem também o suporte da Associação de Pais e Amigos para Apoio ao Talento (Aspat) que, entre outras contribuições, é responsável pela identificação de voluntários na sociedade, que possam auxiliar a manter a missão de desenvolver potenciais.

Atualmente existem centros de educação especial adotando a metodologia Cedet nas cidades de Lavras (MG), Assis (SP), Poços de Caldas (MG), São José do Rio Preto (SP) e São José dos Campos (SP). Lavras foi pioneira na iniciativa.

Fonte: Ascom - Ufla

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