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Publicada em: 07/03/2018 16:49 - Atualizada em: 08/03/2018 08:41
Ferreomodelismo ajudou no controle à depressão de um caminhoneiro de Lavras
Motorista de caminhão utiliza este hobby para combater a doença

A perfeição das miniaturas chega a impressionar. Fotos: Divulgação

 

 

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O ferreomodelismo é um hobby bem antigo, sua origem remonta ao período em que o transporte ferroviário foi adotado massivamente. As primeiras miniaturas de trens foram fabricadas por volta de 1830, por artesãos alemães. De lá para cá, muita coisa mudou, principalmente no Brasil, onde o transporte de passageiros pelas ferrovias praticamente deixou de acontecer, com exceção dos passeios turísticos. Mesmo assim, a paixão de algumas pessoas por este hobby se intensificou. 

Em diversas cidades mineiras, por exemplo, alguns ferreomodelistas possuem verdadeiros patrimônios em casa, e até hoje os trens despertam curiosidade e saudosismo nas pessoas.

Em Lavras, um motorista de caminhão utiliza este hobby para controlar a depressão. Edvaldo de Assis Serafim, de 58 anos, possui trens elétricos há mais de 25 anos. "Construí minha maquete com trilhos, estação, oficina, caixa d'água e me divirto bastante. Ela me ajuda até a controlar minha depressão. Quando estou de férias, passo o dia ao redor da maquete, onde rodo minhas duas locomotivas e meus 19 vagões", conta. Seu pai foi mecânico da RFFSA e, às vezes, Serafim ficava à noite com ele na oficina. "Daí veio minha paixão pelos trens e, depois, pelo ferreomodelismo", finaliza.

Em Belo Horizonte, o administrador de empresas aposentado Paulo de Assis Fonseca, 72 anos, gosta de trens desde a infância, por volta de 1952, mas passou a se dedicar ao hobby há pouco tempo. "Comecei há dois anos e meio, pois somente agora tive espaço para montar uma maquete, onde rodo minhas três locomotivas e seis vagões. Como sempre gostei de desenho e arquitetura, fiz uma pequena maquete seguindo algumas instruções do material do fabricante. Não vejo esse hobby como uma paixão, mas sim um gosto dos tempos em que brincar era algo mais do que simplesmente apertar botões", afirma Fonseca.

De acordo com o aposentado, há até uma entidade em Belo Horizonte que reúne os aficionados por este hobby, a Associação Mineira de Ferreomodelismo. "Com a idade que tenho, os trens em miniatura são uma distração para mim, uma terapia. Este hobby é bom para quem aprecia desafios, belas paisagens, tranquilidade e, porque não, trabalhos manuais e lembranças das boas viagens de trens. Sei que é difícil os jovens de hoje cultivarem o gosto pelas ferrovias, pois no Brasil pouco se fala nelas e há poucos projetos turísticos ferroviários, mas muitas pessoas já estão percebendo que passear de trem é um evento agradabilíssimo", conclui.

Em Uberaba, o ferroviário Luiz Antônio de Freitas Filho, de 24 anos, que trabalha na área de manutenção de locomotivas, é aficionado por trens desde criança, quando ganhou de seu pai uma caixa de trens da empresa fabricante. "Passávamos finais de semana e madrugadas montando os trilhos e construindo nossa maquete. Desde então já se passaram 15 anos, e continuamos firmes neste hobby", diz Freitas, que possui cerca de 160 locomotivas e 400 vagões em sua coleção.

Os trens estão presentes em sua vida praticamente desde seu nascimento, pois sempre morou próximo à estação ferroviária da cidade. "Meu pai levava-me para ver os trens, bem antes de eu mexer com este hobby. Meu bisavô paterno era ferroviário da Mogiana, mecânico de locomotiva a vapor, ou seja, já está no sangue. Com certeza, é um hobby que irei passar para os meus filhos, pois não podemos deixar a tradição acabar", explica Freitas, que mexe diariamente em sua coleção e se reúne, com frequência, na casa de amigos ou mesmo em uma passagem de nível na rua Espanha, onde todos conversam e vêem os trens passarem.

O vigilante Rogério Silva Freitas, de 38 anos, morador de Uberlândia, cultiva este hobby desde 2007, quando se encantou por algumas miniaturas de trens em uma loja durante um passeio pelo shopping da cidade e resolveu, então, comprar uma caixa de trens. "Desde criança sempre gostei de trens e hoje já possuo 53 locomotivas e 108 vagões. Não herdei essa paixão pelo hobby, mas pretendo passá-lo para meus filhos, que adoram muito", comenta Freitas. Mesmo não possuindo uma maquete, ele mexe em sua coleção com frequência. "Estou sempre limpando as locomotivas e os vagões, mas sonho em ter, algum dia, uma grande maquete para colocar toda minha coleção", conclui.

No Brasil tem a única fabricante de trens elétricos em miniaturas e réplicas de composições reais na América Latina, a Frateschi Trens Elétricos, empresa com sede em Ribeirão Preto. De acordo com a fabricante, "as pessoas pensam que o transporte ferroviário morreu, mas ele está vivo e em expansão. A ferrovia é de valor estratégico imprescindível para um país como o Brasil, e este crescimento ajuda a fomentar ainda a mais a paixão que muitos brasileiros têm pelos trens, e muitos passam o hobby do ferreomodelismo para as futuras gerações", diz Lucas Frateschi, diretor da empresa. No Brasil, inclusive, existem diversas associações que reúnem os amantes deste hobby saudável e interessante.

 

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#jornaldelavras Eduardo Cicarelli Sabrina Cicareli

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