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Publicada em: 07/11/2016 07:30 - Atualizada em: 07/11/2016 15:15
Entrevista com Valério Júlio sobre a inclusão de Lavras no Pirma e retorno da linha aérea
Historiador da aviação é o entrevistado do Jornal de Lavras. Valério Júlio contou como a cidade era servida de linhas aéreas no passado e porque elas acabaram

Valério Júlio, historiador da aviação em Lavras. Foto: Catarina Júlia

 

 

  Jornal de Lavras:  (35) 9 9925.5481    @jornaldelavras     @jornaldelavras    @jlavras    

Quando o Jornal de Lavras foi informado pelo secretário de Estado do Desenvolvimento Integrado e dos Fóruns Regionais, Fábio Cherem, sobre a inclusão de Lavras no projeto do Programa de Integração Regional Modal Aéreo (Pirma), o que garantiu o retorno das linhas aéreas para Lavras, imediatamente entramos em contato com o historiador da aviação em nossa cidade, Valério Júlio, e comunicamos a ele em primeira mão, antes da publicação da matéria, isso porque Valério, além de historiador e entusiasta da aviação, é também um lavrense que se empolga com as conquistas de Lavras e que ama sua cidade.

Agora, depois que o reinício dos voos comerciais foi concretizado em Lavras, procuramos mais uma vez o historiador Valério Júlio e fizemos algumas perguntas sobre a história da aviação em Lavras e a importância da cidade ser incluída no Pirma. Veja o ele falou sobre a aviação em nossa cidade no passado e o que ele pensa para o futuro com o retorno das linhas aéreas:

 

(JL) Quais as companhias aéreas que serviram Lavras no passado e por que o serviço foi interrompido?

(VJ) No período compreendido entre 1947 e 1960, cinco empresas serviram a cidade com voos regulares.

Em dezembro de 1947, era inaugurada a linha aérea da Organização Mineira de Transportes Aéreos (OMTA), ligando Lavras a Belo Horizonte e vice-versa. A OMTA era considerada uma empresa pequena, basicamente tendo em sua frota aviões Bonanza, mas mantinha convênio com outra companhia aérea de âmbito nacional.

Em janeiro de 1948, foi a vez da Universal Transportes Aéreos, utilizando um avião Lockheed Lodestar para 12 passageiros, iniciar a rota Rio – Lavras – Belo Horizonte e vice-versa, com escalas também em São João del-Rei e São Lourenço. Em setembro de 1948, após alguns problemas técnicos, a Universal acabou falindo e encerrando suas atividades.

No lugar da Universal, em outubro de 1948, a Central Aérea Ltda., que tinha sede no Rio de Janeiro passou a fazer vôos para Lavras, também fazendo a rota Rio – Lavras – Belo Horizonte. A Central Aérea utilizava aviões Douglas DC-3 para 21 passageiros. Posteriormente foi incluída a rota São Paulo – São Lourenço - Lavras e vice-versa

Em 1950 os vôos foram suspensos devido a interdição do aeroporto local para voos comerciais, interdição que durou quase um ano, com o aeroporto só sendo reaberto em janeiro de 1951 depois de receber melhorias.

Após normalizada a situação do aeroporto, no dia 24 de janeiro de 1951, pousaram em Lavras dois aviões Douglas DC-3 da Nacional Transportes Aéreos Ltda., companhia esta que havia encampado a Central Aérea Ltda. e a OMTA que aqui faziam suas linhas. O primeiro avião vinha de Belo Horizonte e o outro vinha de Passos rumo ao Rio. Com isso, mais destinos forma incluídos com saídas de Lavras.

Em agosto de 1956, a Real Transportes Aéreos S/A, adquiria 50% do controle da Nacional, passando o consorcio Real Nacional Aerovias a servir Lavras. Em julho de 1960, a Real Transportes Aéreos S.A. fez pela ultima vez suas viagens para Lavras.

Os motivos da suspensão dos voos foram vários, citando como principais a falta de um aeroporto mais moderno; o desinteresse das autoridades locais; a entrada de novas aeronaves mais possantes em operação que não pousavam em nosso campo de aviação, a criação de linhas de ônibus ligando Lavras aos grandes centros e a construção de rodovias melhores, a própria situação da Real que não era das melhores, dentre outros.

 

(JL) Qual a importância de uma linha aérea para uma cidade como Lavras?

(VJ) A importância está no desenvolvimento econômico e social da cidade e de sua região, pois num mundo cada vez mais globalizado é necessário que as decisões sejam tomadas mais rapidamente, e para um empreendedor, tempo é dinheiro e não se pode perder tanto tempo em deslocamentos.

Vejo que podemos retomar o plano de atrair mais indústrias e novos investimentos para a cidade e com isso abrindo novos postos de empregos a médio e longo prazo.  Também acho que beneficiará a Universidade Federal de Lavras que recebe sempre pesquisadores vindos de outras partes do país e também do exterior e ao corpo docente, discente e técnico administrativo visto que sempre necessitam ir a Belo Horizonte para encontros técnicos e conexões para outras cidades e com os vôos o tempo gasto nos deslocamentos de Lavras a capital mineira será menor.  Outro ponto significativo acontecerá quando se começar o transporte de cargas, conforme falado quando da implantação dos voos, pois tornará mais ágil as remessas de pequenas cargas ou encomendas.

 

(JL) O que significa para você, como historiador da aviação em Lavras, o retorno de uma linha aérea comercial depois de mais de cinco décadas e o que levou você a pesquisar sobre a aviação em nossa cidade?

(VJ) Não somente como historiador, mas principalmente como um cidadão lavrense, ver a cidade ser inserida novamente em rotas da aviação comercial, me deixou muito contente, pois visualizo uma nova era de desenvolvimento para a cidade e região.  Fico na expectativa que a iniciativa tenha êxito e que em breve aeronaves maiores possam também ser utilizadas.

Sobre a pesquisa que faço sobre a aviação, a idéia nasceu da curiosidade que sempre tive sobre fatos e pessoas que sempre ouvia alguma citação. Por exemplo, o avião que caiu em Lavras em 1930, a inauguração do Aeroclube em 1940, quem realmente foi Vaz Monteiro, o avião João Ramalho do aeroclube, as linhas comercias em Lavras, dentre outros.

Em 1997 consegui com o amigo Renato Libeck varias fotos antigas da aviação em Lavras e então decidi começar a pesquisa que continua até os dias atuais. Acredito que 95% das minhas duvidas eu consegui sanar. Agora tento desvendar os 5% restantes.

Sobre um trabalho impresso, tenho como ideia um livro fotográfico, retratando os principais momentos da historia. Esta incumbência deixarei a cargo da minha esposa, Salete, que sempre me incentivou e ajudou nas pesquisas.

Também resolvi escrever apenas sobre os primórdios da aviação em Lavras, até meados da década de 1960, o período dos velhos tempos da "Aviação Romântica", inserindo apenas algumas fotos atuais sobre as apresentações da Esquadrilha da Fumaça em Lavras, pois das sete vezes que aqui se apresentaram, quatro participei na organização das apresentações.

Sobre a historia mais atual, da década de 1960 em diante, deixo a cargo de pessoas mais qualificadas que eu para isto, que vivenciaram e ainda vivenciam os fatos, tendo como melhor exemplo, Fabiano Tadeu Maia Soares, diretor do Aeroclube de Lavras, que participou, juntamente com o saudoso Miguel Ângelo dos Santos, o inesquecível Miguelão, da transição da aviação dita "romântica" para a atual. Eles viram o final dos vôos comerciais, a extinção do Aero Clube fundado em 1940 e recriado em 1983 por motivos burocráticos, as novelas das desapropriações que deterioraram o patrimônio do Aeroclube, enfim, toda uma nova historia.  Aproveito a oportunidade para agradecer ao Comandante Fabiano Tadeu Maia Soares que, ao me convidar para participar da diretoria do Aeroclube de Lavras no final da década de 1990, proporcionou que eu conhecesse mais a fundo a aviação, em especial a rotina de uma Escola de Pilotagem, com todas as suas lutas, dificuldades e superação, visando apenas a formação de novos pilotos, e com esta participação por quase dez anos na diretoria do Aeroclube eu pude me sentir fazendo parte, mesmo que bem pequena, desta historia que tanto me fascina. 

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#jornaldelavras Eduardo Cicarelli Sabrina Cicareli

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