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Publicada em: 09/07/2016 16:35 - Atualizada em: 10/07/2016 11:09
A consagração do templo da Igreja Presbiteriana em Lavras foi há 117 anos
Um fato que não pode ser omitido: Lavras e os lavrenses devem muito a igreja Presbiteriana e os americanos que aqui chegaram há mais de um século

 

Congregação Presbiteriana de Lavras, em frente ao antigo templo, demolido em 1942 e reerguido em 1944. Abaixo, atual Primeira Igreja Presbiteriana de Lavras

 

 

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Hoje, sábado, dia 9 de julho, é uma data especial para os presbiterianos de Lavras, isso porque há 117 anos era consagrado o templo da Igreja Presbiteriana, que seria edificado na praça Municipal, sob a direção do reverendo Samuel Rhea Gammon, isso foi no dia 9 de julho de 1899.

Os trabalhos evangélicos em Lavras foram iniciados bem antes, em 1887, quando a nossa região era visitada sistematicamente pelo reverendo Eduardo Carlos Pereira, da cidade de Campanha, ganhando força em 1892, com a chegada de Samuel Rhea Gammon e George W. Chamberlaim.

Neste período os presbiterianos de Lavras sofreram com a morte de um de seus líderes: no dia 2 de maio de 1895 deixa a vida terrena com apenas 30 anos de idade, o reverendo Franklin A. Cowan, que apesar de sua curta passagem por esta vida, muito contribuiu para a pregação da palavra de Deus em nossa cidade.

A vida dos presbiterianos em Lavras não foi fácil, eles foram perseguidos e chegaram a dizer que eles eram enviados do demônio, outros foram mais longe ainda, e diziam que eles eram os próprios demônios.

Um fato muito interessante aconteceu em Lavras no início do século passado envolvendo dona Carlota Kemper e uma serviçal do Colégio Evangélico para moças.

Dona Carlota Kemper trocava de roupa em seu aposento quando percebeu que alguém a observava através do buraco da fechadura, ela rapidamente abriu a porta e flagrou uma jovem que trabalhava na limpeza do internato das moças. Questionada por que ela fazia aquilo, a jovem tremendo e apavorada respondeu que queria ver os pés de dona Carlota, já que ela e todos os americanos andavam calçados, hábito incomum na época.

Dona Carlota Kemper perguntou a razão e a jovem contou que o padre havia dito na missa que os americanos andavam calçados para esconder os seus pés, porque eles tinham fendas, eram pés fendados como os de cabras, eram pés de demônio. Sabiamente dona Carlota tirou os sapatos e mostrou seus pés para a jovem. Naquele dia ela e todos os americanos passaram todo o dia descalços, deram aulas, andaram pela cidade, tudo que eles fizeram durante o dia foi feito normalmente, porém, descalços.

Os americanos presbiterianos enfrentavam constantes problemas com os católicos. Nos arquivos da Prefeitura de Lavras têm dois documentos endereçados a Câmara Municipal que mostram isso. O primeiro tem data de 15 de abril de 1898, o pastor e representante da igreja Presbiteriana de Lavras, Samuel Rhea Gammon, pede à Câmara Municipal que indique um terreno para que possam ser sepultados os seus correligionários, já que estavam encontrando resistência e dificuldades no cemitério administrado pela igreja Católica. O pedido do ilustre educador foi rejeitado pela maioria dos vereadores em reunião realizada no dia 16 de abril.

O outro documento é uma correspondência que tem data de 21 de outubro de 1907, é um abaixo assinado encabeçado pelo reverendo Samuel Rhea Gammon, contendo onze assinaturas de membros da igreja Presbiteriana, que foi encaminhado a Câmara Municipal, nele, explica o Dr. Gammon: "Os christãos evangélicos residentes nesta cidade, durante estes dez anos, estão sujeitos, sempre que tenham que sepultar os seus mortos, a vexames originados com as auctoridades eclesiásticas, sendo que estes vexames se tem tornado mais freqüentes e mais irritantes de certo tempo". O Dr. Gammon finaliza: "... que a Câmara Municipal providencie para que brevemente haja um cemitério secular, sob a fiscalização do governo municipal".

No dia 14 de outubro de 1911 é organizada a Primeira Igreja Presbiteriana de Lavras, no templo que foi construído na praça Municipal, ele tinha uma pequena torre metálica. A velha igreja, que foi consagrada por Samuel Gammon, foi demolida e em seu lugar outra foi edificada e no dia 26 de novembro de 1944 consagra-se o novo templo da Igreja Presbiteriana. A construção do novo templo na então praça da Bandeira ficou a cargo do construtor José Cicarelli. A cerimônia de consagração foi presidida pelo pastor Francisco Alves, ajudado pelos reverendos Frank F. Baker e Benjamin Morais. 

Samuel Gammon buscava expandir o Colégio Evangélico, mas sua maior barreira era o preconceito contra os protestantes, ele chegou a abrir uma filial na cidade de Bom Sucesso e naquela cidade não foi diferente. No dia 17 de abril de 1915, o Colégio Evangélico, de Bom Sucesso sofre um atentado à bomba. Uma banana de dinamite foi atirada sobre o telhado do Colégio e outras seis, que não explodiram, foram colocadas estrategicamente sob os alicerces do prédio.

O Dr. Samuel Rhea Gammon e outros missionários estiveram no local para avaliar as consequências do atentado, que inclusive, foi condenado pela igreja católica daquela cidade e de Lavras. O Colégio Evangélico de Bom Sucesso mais tarde foi fechado.

A presença dos americanos e presbiterianos em Lavras sempre colocou Lavras em posição de destaque, no dia 4 de setembro de 1917, em excursão pela América do Sul, chegam a Lavras o Dr. Webster Browning, secretário da Instrução na América Latina e o reverendo S. G. Nunan, secretário executivo da Comissão de Cooperação. O objetivo das visitas é coordenar as igrejas evangélicas e estabelecimentos de ensino também evangélicos na América Latina, desde o México até a Argentina. Em Lavras, os visitantes foram hospedados pelo reverendo Samuel Rhea Gammon.

Em 12 de agosto de 1959 comemorava-se no templo da Primeira Igreja Presbiteriana o Primeiro Centenário do Presbiterianismo, com vários cultos especiais, dirigidos pelos reverendos Francisco P. Alves e Rubem Azevedo Alves.

Com o passar dos anos o número de presbiterianos cresceu e o primeiro templo construído não comportava mais o número de protestantes e no dia 10 de março de 1963 era organizada na Zona Norte a "Segunda Igreja Presbiteriana de Lavras", que funciona atualmente à avenida Vaz Monteiro, onde congrega um grande número de fiéis.

A importância da presença dos americanos e da igreja presbiteriana em Lavras tem um marco, é o dia 12 de março de 1964. Neste dia foi firmado no Rio de Janeiro o documento mediante o qual a Igreja Presbiteriana do Brasil transferia ao Governo Federal, através do Ministério da Educação e Cultura, todos os bens móveis e imóveis que constituíam o patrimônio da Escola Superior de Agricultura de Lavras (ESAL). O ato é uma decorrência da lei número 4.307, de 23 de dezembro de 1963, que federalizou a ESAL (hoje Ufla - Universidade Federal de Lavras).

A partir desta data a história de Lavras se misturou com a história da igreja Presbiteriana e a partir daí não precisa mais contá-la, todos nós conhecemos e somos testemunhas.  

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