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Publicada em: 12/12/2015 18:46 - Atualizada em: 13/12/2015 10:43
BH faz 118 anos e Lavras ajudou a escrever dois capítulos de sua história - veja fotos antigas
É impossível contar a história de Belo Horizonte sem citar Lavras, isso porque Lavras já deu para a capital dois prefeitos: Francisco Salles e Otacílio Negrão

Lagoa da Pampulha, um dos pontos turísticos da capital mineira. Em 1936 o prefeito Otacílio Negrão de Lima deu início ao represamento do ribeirão Pampulha, objetivando a construção da lagoa. A obra foi completada em 1943 na gestão de seu sucessor Juscelino Kubitschek (Foto extraída do site commons.wikimedia.org)

 

 

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No ano passado o Jornal de Lavras publicou uma matéria referente aos 117 anos de Belo Horizonte, a capital dos mineiros, lembrando que dois prefeitos daquela cidade nasceram em Lavras. Os dois prefeitos lavrenses e que fizeram história naquela cidade foram: Francisco Salles e Otacílio Negrão de Lima.

O primeiro, Francisco Salles, nasceu numa fazenda, um casarão que até hoje pode ser visto, apesar de ter sido descaracterizado, uma parte do casarão já não existe mais, é a sede da Fazenda do Madeira, às margens do anel viário Presidente Tancredo Neves, a Estrada do Madeira. Ninguém consegue passar pela rodovia sem perceber a sede da fazenda.

O segundo, Otacílio Negrão de Lima, nasceu na Vila de São João Nepomuceno, hoje é a próspera cidade de Nepomuceno, na época município de Lavras. Sobre Otacílio Negrão de Lima até a Prefeitura de Belo Horizonte faz confusão, no site da Prefeitura da capital mineira, Otacílio Negrão de Lima figura como sendo natural da cidade de São João de Nepomuceno, na Zona da Mata mineira.

Hoje Belo Horizonte está completando 118 anos e o Jornal de Lavras publica duas homenagens àquela cidade, uma a biografia dos dois lavrenses ilustres que ocuparam a Cadeira do Executivo da capital mineira e a outra, uma galeria de fotografias antigas de Belo Horizonte. As fotos foram reproduzidas de fotografias originais que fazem parte do acervo de um colecionador lavrense. São 20 fotografias que contam a história da "Cidade Jardim", como era chamada a capital mineira no século passado. As fotografias estão em um álbum denominado "Bello Horizonte Cidade Jardim", do colecionador lavrense. 

 

Francisco Antônio de Salles

Francisco Antônio de Salles nasceu em Lavras, onde hoje é a sede da Fazenda do Madeira. Ele era filho do chefe político Firmino Salles e de Anna Cândida Salles. Francisco Salles nasceu no dia 29 de janeiro de 1863, iniciou seus estudos em Lavras sob a orientação do professor padre Américo Brasileiro. Mais tarde, seguiu para o Seminário de Mariana e posteriormente para Ouro Preto, em 1881.

Em 1882 matriculou-se na Escola de Direito do Largo de São Francisco, uma das mais tradicionais do país, bacharelando-se em Ciências Jurídicas e Sociais, em 1886. Republicano convicto desde os tempos de faculdade, foi propagandista desses ideais em pleno regime monárquico, foi sócio fundador e vice-presidente do "Club Republicano Mineiro", juntamente com outros mineiros que comungavam os mesmos ideais e que residiam em São Paulo.

Tão logo formou, voltou a Lavras e se estabeleceu com seu escritório de advocacia e, em 1888, casou-se com Anna Adalgisa de Aquino Salles. Contudo, seu espírito de civismo e dedicação à causa republicana, entregou-se a política, fazendo conferências e fundando clubes políticos, pregando suas idéias republicanas por todo Sul de Minas.

Com a Proclamação da República, candidatou-se a deputado à Constituinte Mineira, que promulgou em 15 de julho de 1891, o estatuto básico das instituições do Estado. Desistiu do resto de seu mandato e foi exercer o cargo de juiz municipal e de órfãos na comarca de Lima Duarte.

Por imposição do povo mineiro, exonerou-se e voltou ao cenário político, elegendo-se deputado, onde ocupou a presidência da Câmara Estadual. Sobressaiu-se entre os demais graças ao posicionamento moderado no meio da luta travada entre elementos de facções partidárias diversas; promoveu acordos entre os estados de Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo e Rio de Janeiro para a cobrança do imposto sobre o café exportado pelo porto do Rio.

Findado seu mandato, foi nomeado em 7 de setembro de 1894 secretário das Finanças do governo de Crispim Jacques Bias Fortes, tendo em 1897 se transferido juntamente com o Governo para a nova capital do Estado: Belo Horizonte, inaugurada em 12 de dezembro daquele ano.

Com a renuncia de Francisco Sá, secretário de Viação e Obras Públicas, por ter sido eleito deputado federal, o Dr. Francisco Antônio de Salles exerceu a pasta vaga, até o final do governo de Bias Fortes. Em 19 de setembro de 1896, criou através do decreto de número 200, a Caixa Econômica de Estado de Minas Gerais.

Em 1898, convidado por Silviano Brandão, Dr. Francisco Antônio de Salles torna-se prefeito de Belo Horizonte, cuja função desempenhou com integridade e extrema competência, características que marcaram sua passagem pela política. Mesmo ocupando o cargo de Prefeito da capital mineira, Francisco Salles foi eleito Senador Estadual e deputado federal; optando então pela cadeira da Câmara Federal, onde fez parte da Comissão de Reconhecimento de Poderes, ocupando também a liderança da bancada mineira.

Em 1º de março de 1902, o lavrense Francisco Antônio de Salles foi eleito presidente do Estado de Minas Gerais, assumindo o poder, perante o Congresso Mineiro, em 7 de setembro do mesmo ano. Francisco Antônio de Salles teve sua trajetória política marcada por sua atuação na área econômica. Desde quando assumiu a Secretaria das Finanças no governo de Silviano Brandão, destacou-se pela sistematização e organização de arrecadação do Estado e imprimiu maior rigor à elaboração do orçamento. Organizou o 1º Congresso Agrícola, Comercial e Industrial de Minas Gerais, o que impulsionou sobremaneira a economia do Estado.

Sua notável permanência no Palácio da Liberdade, fez com que forças políticas do país o indicasse a Presidência da República, convite este que declinou e indicou o nome de Afonso Pena, que exerceu a alta magistratura por um período, já que falecera antes de completar o seu mandato.

O marechal Hermes da Fonseca, quando presidente da República de 1910 a 1914, convidou Francisco Antônio de Salles para ocupar a pasta do Ministério da Fazenda, cargo este que exerceu até 1912, quando se exonerou-se para ocupar o Senado e a Câmara Federal.

Em 1918, com a eleição de Artur Bernardes para o governo de Minas, Francisco Salles afastou-se das atividades políticas, dedicando a imprensa em Belo Horizonte, quando fundou o jornal "Diário de Notícias." Ele morreu no Rio de Janeiro no dia 16 de janeiro de 1933.

Algumas conquistas lavrenses ligadas ao nome de Francisco Antônio de Salles durante sua passagem pela vida pública: instalação do Fórum; construção da ponte metálica no lugar denominado "Funil"; construção do Grupo Escolar "Firmino Costa"; ligação ferroviária entre Lavras e Barra Mansa; equiparação da Escola Normal; construção das oficinas da Estrada de Ferro Oeste de Minas; construção da ponte "Agostinho Porto"; implantação dos bondes e outros benefícios.

 

Otacílio Negrão de Lima

O outro lavrense prefeito de Belo Horizonte foi Otacílio Negrão de Lima, ele era filho de João Nepomuceno Licas de Lima e de Maria das Dores de Lima, nasceu em 8 de abril de 1897, na Vila de Nepomuceno, na época, município de Lavras.

Fez seus estudos em Lavras e mais tarde transferiu-se para Belo Horizonte, tendo sido aluno de uma das primeiras turmas a se formar pela então Escola de Engenharia. Casou-se com a também lavrense Jenny Silveira Lima, filha de Theodoro Silveira e Carmelina Silveira. O casal não teve filhos.

Otacílio Negrão de Lima foi integrante da Polícia Militar de Minas Gerais, tendo participado ativamente da Revolução de 1930. Foi engenheiro da Prefeitura de Belo Horizonte e aos 38 anos, prefeito da capital mineira de 1935 a 1938. Foi responsável pela construção dos símbolos de Belo Horizonte: a barragem da Pampulha e o Minas Tênis Clube. Foi ele quem denominou a antiga avenida Araguaia de avenida Francisco Salles, no dia 5 de março de 1933, dois meses após a morte deste outro lavrense.

Otacílio Negrão de Lima era neto do comendador José Duarte da Costa Negrão, um dos fundadores da Companhia União Lavrense, que mais tarde passou a denominar-se Companhia Fabril Mineira. Sua avó era Maria Ignez da Costa Negrão. Dona Maria Ignez era avó também do professor Oscar Negrão de Lima, médico e acadêmico da Academia Mineira de Letras; do Dr. Francisco Negrão de Lima, deputado federal, embaixador e governador do estado da Guanabara; de Maria Luiza Pinto, esposa do deputado Clovis Pinto; Amélia Gomes Passos, esposa do deputado e secretário de estado Gabriel Rezende Passos; e de Sara Gomes Kubitschek de Oliveira, esposa do ex-presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira.

Otacílio Negrão de Lima, em 1946, foi convidado pelo general Eurico Gaspar Dutra para ocupar o Ministério do Trabalho. Foi deputado federal, estadual, voltou a ocupar a cadeira do executivo de Belo Horizonte de 1946 a 1951, foi empresário, fazendeiro, industrial e banqueiro. Criou o jornal "Diário de Minas" e fundou a "Cel. S/A de Engenharia da Força Pública de Minas Gerais." Ele morreu aos 63 anos em Belo Horizonte, no dia 27 de maio de 1960.

Galeria de fotos do álbum "Bello Horizonte Cidade Jardim", de um  colecionador lavrense: 

Imagens antigas de BH. Fotos de um colecionador de Lavras - 20 fotos


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