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Publicada em: 27/09/2015 14:32 - Atualizada em: 27/09/2015 20:22
Jornal Estado de Minas publicou a história de um lavrense neste final de semana
Um lavrense que faz parte da história de Minas e do Brasil foi contada neste final de semana pelo jornal Estado de Minas, mas não temos nada de que orgulhar dele

Única fotografia do carrasco Fortunato José, em seu leito de morte na cadeia de Ouro Preto (Foto: Arquivo Público Mineiro)

 

 

  Jornal de Lavras:  (35) 9 9925.5481    @jornaldelavras     @jornaldelavras    @jlavras    

No sábado, dia 26 de setembro, o jornal Estado de Minas trouxe uma matéria interessante sobre Lavras, sobre a história de Lavras. Ela narra a vida e o obra de um homem que nasceu em Lavras e morreu em Ouro Preto, ele se tornou conhecido em toda Minas Gerais pelos seus feitos, porém, eles não honram a cidade, sua história é tenebrosa, sanguinária, é a história do escravo Fortunato José, um escravo que trocou sua pena de morte por prisão perpétua, porém, com a condição de "servir" o Império do Brasil.

Fortunato José era funcionário público, ele era o carrasco oficial de Minas Gerais, um cargo que trocou pela sentença de galés perpétua e ser o matador oficial. No dia 22 de junho de 1835, o escravo foi transferido da Vila de Lavras para a cadeia de São João del-Rei, posteriormente para a cadeia de Ouro Preto. Acusado da morte de sua senhora, a viúva Custódia Paiva, foi julgado e condenado à morte, mas teve sua pena comutada em prisão perpétua mediante o compromisso de servir de carrasco do Império do Brasil; profissão que exerceu por 44 anos em 29 localidades mineiras e 2 cariocas.

Algoz de 87 execuções por enforcamento, iniciou sua carreira com 25 anos e encerrou em 1874, quando em Minas Gerais aboliu-se a pena capital. Fortunato José acabou seus dias na cadeia de Ouro Preto; há entre os historiadores, divergências quanto a data de sua morte, uns mencionam o ano de 1877 e outros o de 1884. Assim definiu um jornalista da "Gazeta de Notícias", do Rio de Janeiro, quanto a dúvida da data de sua morte: "Não importa a data. Deus o mandou embora".

Em Lavras aconteceu um enforcamento, isso foi no dia 26 de junho de 1839, neste dia o réu Joaquim Congo, escravo pertencente à herança de José Pimenta, de 28 anos de idade, foi enforcado, sendo esta a única execução acontecida em nossa, no alto da Pedreira, onde hoje se localiza um cruzeiro.

Na manhã do dia 5 de dezembro de 1838, o fazendeiro José Pimenta castigou severamente o seu escravo Joaquim Congo, por não achar seus serviços satisfatórios.

Na tarde do mesmo dia, o escravo aproveitando um momento de descuido de seu senhor, desferiu com o olho da enxada em que trabalhava uma forte pancada em sua cabeça; não se contentando continuou a bater até desfigurar sua vítima. Mais tarde foi capturado e conduzido à cadeia, sendo entregue à guarda e responsabilidade do carcereiro Jerônymo Francisco Guimarães. Joaquim Congo aguardou mais 6 meses na cadeia até ser executado.

Não parece ter sido o temível carrasco Fortunato José o executor da sentença máxima cumprida na Vila de Lavras. Em documentos do Arquivo Público Mineiro, onde o algoz enumera uma folha repleta de serviços prestados à justiça dos homens, relatando os locais de suas 87 execuções, em momento algum menciona Lavras como cidade em que prestou serviço e sim, como sua terra natal. O mais provável é que o executor de Joaquim Congo tenha sido Antônio Resende, carrasco que residia em São João del-Rei e que, eventualmente substituía Fortunato José, o "medonho algoz", como era conhecido por todo Império.

A matéria do jornal Estado de Minas está publicada na íntegra abaixo, confira.

 

Conheça a saga de Fortunato, o escravo carrasco do Brasil Império

Após matar proprietária de terras, jovem tem a pena de morte trocada por prestação de serviço de algoz no Brasil Império. Ele enforcou 87 pessoas e não obteve o sonhado perdão

A história é manchada de sangue, mas é a nossa história. Corria algum dia de 1884 quando o homem de 73 anos que estava atrás das grades na cadeia de Ouro Preto, onde hoje funciona o Museu da Inconfidência, fechou os olhos para sempre. Seu último suspiro levou consigo as lembranças das 87 vidas que ele executou, a mando de autoridades do Brasil Império (1822-1889), em forcas espalhadas por 29 cidades de Minas Gerais e em duas do Rio de Janeiro. Essa foi a saga do negro Fortunato José, o escravo que virou um dos principais carrascos do país.

Fortunato nasceu num lugarejo que hoje é a cidade de Lavras, no Sul do estado. Aos 22 anos, viciado em bebida e jogatina, foi advertido por dona Custódia, a viúva do fazendeiro João de Paiva, dono da propriedade onde o então jovem veio ao mundo. Irritado com a repreensão, tirou a vida da senhora com uma porretada na cabeça. O crime ganhou repercussão e o rapaz foi condenado à morte. Sua vida seria ceifada na forca.

Por ironia, o algoz que deveria cumprir a ordem havia morrido. E as autoridades fizeram uma proposta a Fortunato: sua pena seria comutada para a de prisão perpétua em troca de ele virar "o dono" da forca. Quem explica é o pesquisador Marco Antônio Faria: "Teve a pena comutada com a condição de exercer a função de carrasco, pois o 'titular' havia falecido".

E foi assim que o então jovem, ávido por álcool, começou a percorrer o estado para ceifar a vida dos condenados. O carrasco tinha a expectativa de um dia receber o perdão do governo e se tornar um homem livre. Sua primeira execução ocorreu no Natal de 1833. Tirou a vida de um escravo. Na mesma data, enforcou o segundo. Na lista de mortos, há negros e brancos, homens e mulheres.

Historiadores contam que a imagem de pessoas dependuradas no laço o perseguiu até a própria morte. Talvez fosse para amenizar essa dor que Fortunato costumava dizer que era funcionário público. "Ele falava sempre, em seu linguajar sem cultura, da sua 'profissão', à qual ele denominava de emprego público mal remunerado", completou Barrica, pesquisador-membro do Instituto Histórico de Pitangui (IHP), onde o carrasco levou dois homens à forca.

Também foi nessa cidade do Centro-Oeste mineiro, elevada à condição de vila em 1715 e a 130 quilômetros de Belo Horizonte, que o algoz, por pouco, não foi assassinado. Fortunato tinha o hábito de dormir a noite anterior à execução na mesma cela que o condenado à forca. Em 21 de setembro de 1838, ele adormeceu ao lado do escravo Ignácio Cassange, cuja pena de morte estava prevista para a manhã seguinte.

A morte programada do condenado era aguardada por uma multidão, pois seria a inauguração da forca, erguida no Morro das Cavalhadas, atrás da atual capela de São Francisco de Assis, erguida no século 19. A execução deveria ocorrer às 9h de 22 de setembro de 1838. Na noite anterior, o algoz decidiu cumprir o ritual de dormir na mesma cela que a vítima. Na madrugada, porém, Fortunato acordou com o corpo ensanguentado. O escravo havia lhe desferido golpes de navalha em todo o corpo. Socorrido, o carrasco foi internado.

Passou dias num leito. Sobreviveu para continuar sua saga, mas não executou Ignácio, que foi enforcado por outro algoz na vila de Sabarabuçu, atual Sabará. A partir de então, descartou a possibilidade de pernoitar ao lado de condenados. As cicatrizes pelo corpo o faziam lembrar daquela noite.

"Foi alvo do espírito revoltoso de um pitanguiense, que, dono de instinto assassino, se valeu da oportunidade para impedir – ou pelo menos postergar – seu triste fim. Em outras vilas, a prática de se confinar vítima e executor num único espaço se mostrou desprovida de maiores consequências. Já em Pitangui, terra de 'matadores insignes' e 'homens régulos', como definiu o governador da época, os papéis não se inverteram por pouco. Quase que o algoz passa a ser vítima de sua presa", disse o pesquisador Vandeir Santos, também do IHP.

A fama de Fortunato – embora triste – foi tamanha, que ele foi fotografado numa época em que poucas personalidades tiveram a imagem registrada por uma câmera. O algoz foi registrado, já enfraquecido, numa cama na cela de Ouro Preto. Ele também foi tema de reportagem do extinto periódico Mosaico Ouro-Pretano.

A matéria foi publicada em 17 de julho de 1877. O veículo informou que Fortunato, "admoestado (repreendido) frequentemente, mas com brandura, por sua senhora (dona Custódia, a viúva do fazendeiro), criou-lhe ódio e, um dia, enfurecido, prostrou-a morta com uma bordoada certeira. Foi isto em 1833: tinha então 22 anos o miserável, predestinado a vida medonha e abominável".

A última execução do carrasco ocorreu em 1874, quando a pena de morte na forca foi extinta no Brasil. Fortunato não obteve o sonhado perdão pela morte de dona Custódia. Passou os últimos anos de sua vida na cela em Ouro Preto.

 Paulo Henrique Lobato /Enviado Especial

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